Muçulmanas denunciam assédio sexual na peregrinação a Meca

SÃO PAULO, 20 FEV (ANSA) - Em meio a uma série de denúncias de abuso sexual, as mulheres muçulmanas que realizam a peregrinação a Meca - um dos locais sagrados para o islamismo - criaram uma hashtag para relatar os crimes no local. Através do movimento #MosqueMeToo - fazendo alusão a campanha de Hollywood #MeToo - a jornalista Mona Eltahawy iniciou uma campanha contra o assédio, após uma paquistanesa relatar abusos quando estava na Caaba, local principal do Meca. A muçulmana Sabina Khan sentiu uma mão em sua cintura, mas acreditou que era somente um mal-entendido, pois o local é muito cheio. Porém, logo sentiu algo pressionando suas nádegas. Ela utilizou sua - agora deletada - conta do Facebook para reportar o caso. A ativista Eltahaw também passou por uma situação parecida, que relatou em seu livro "Headscarves and Hymens: Why the Middle East Needs a Sexual Revolution". Contudo, o caso aconteceu em 1982 e, na época, ela não o mencionou nem aos seus pais. Ainda assim, o atual movimento pelas redes sociais foi criticado pelos fieis. "Preferiam que eu me calasse para que os muçulmanos não ficassem com uma imagem ruim", disse Eltahaw a uma reportagem do jornal "The Washington Post". Em 2017, a peregrinação à Meca reuniu 2 milhões de pessoas. De acordo com o Islã, a "haje" é um dos pilares da religião, e deve ser realizada, no mínimo, uma vez na vida entre o oitavo e 13º dia do último mês do calendário islâmico. (ANSA)
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