Crítico de acordo com Farc é favorito em eleição na Colômbia

BOGOTÁ, 25 MAI (ANSA) - Os colombianos terão no próximo domingo (27) o primeiro turno das eleições presidenciais, em um contexto político marcado pela trabalhosa implantação do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), agora convertidas em partido.   

A assinatura do pacto colocou fim a mais de meio século de conflito e desarmou cerca de 7 mil guerrilheiros, mas a pacificação total ainda é um sonho distante, sobretudo em regiões rurais do país. Além disso, organizações ligadas ao crime organizado ganham protagonismo e se tornam a maior ameaça para a segurança na Colômbia.   

O candidato que lidera as pesquisas, o ex-senador Iván Duque, do partido conservador Centro Democrático (fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe), é o único que promete corrigir aspectos do acordo com as Farc, principalmente em temas delicados, como a jurisdição especial para os crimes de guerra e a distribuição de terrenos agrícolas.   

Segundo as sondagens, Duque deve obter cerca de 40% dos votos no domingo, 10 pontos a mais que seu maior rival, o ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro, do Movimento Colômbia Humana, de esquerda.   

Com isso, o país deve ter um segundo turno em 17 de junho.   

A questão da violência armada está diretamente ligada ao narcotráfico: segundo dados das Nações Unidas (ONU), o cultivo de coca na Colômbia atinge cerca de 146 mil hectares, e os Estados Unidos, patrocinadores da "guerra às drogas", pressionam para Bogotá reforçar o controle contra a produção e a exportação de cocaína.   

Além disso, as negociações com a outra guerrilha de destaque no país, o Exército de Libertação Nacional (ELN), estão travadas. A esse cenário, se junta o crescente descontentamento da população com a corrupção política e o modo como a Justiça enfrenta o crime, com ou sem colarinho branco.   

No último ranking da Transparência Internacional, a Colômbia caiu para 96º lugar, com uma nota de 37 em um total de 100, resultado igual ao de países como Brasil, Panamá e Peru. Se nessas nações os inquéritos levaram a prisões de impacto, na Colômbia a opinião pública lamenta a lentidão dos tribunais.   

No campo econômico, a prioridade absoluta do sucessor de Juan Manuel Santos, vencedor do Nobel da Paz, será reduzir os gastos públicos. De acordo com estimativas do Ministério do Tesouro, o déficit fiscal do país deve cair para 3,1% em 2018, mas especialistas independentes preveem que o índice possa alcançar até 3,9% caso o governo não faça reformas fiscais. (ANSA)
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