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'Acabou a Odisseia moderna', diz primeiro-ministro de Grécia

21/08/2018 13h49

ROMA, 21 AGO (ANSA) - O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, comemorou nesta terça-feira (21) o fim dos programas de assistência financeira da União Europeia (UE) que socorreram o país desde 2010, mas impuseram medidas de austeridade para evitar a falência da economia grega. "Acabou a Odisseia moderna", disse Tsipras.   

O mandatário gravou um vídeo na ilha de Ítaca, a terra natal de Ulisses, personagem principal da obra do escritor grego Homero, 'Odisseia'. No livro, o protagonista consegue voltar à terra natal com sua amada Penélope após uma jornada de vinte anos.   

Tsipras afirmou que a "Odisseia moderna" teria começado em 2010 e que o fim das ajudas internacionais marcou "um novo dia, de redenção, mas também o amanhecer de uma nova era".   

Em pouco mais de sete minutos, o presidente evocou imagens como a de "viagens em mares tempestuosos' e explicou que os "resgates pela recessão, a austeridade e a desertificação social finalmente terminaram". "Nosso país reconquista seu direito de planejar seu próprio futuro", disse.   

"Deixamos para trás as Simplégades atrás de nós", afirmou, referindo-se à passagem de Ulisses pela região do estreito de Bósforo, no sudeste europeu, famosa por ter rochedos que afundavam navios. O primeiro-ministro grego considerou que o Poder Executivo cumpriu a missão que assumiu em 2015, que era tirar o país das restrições impostas por memorandos da Comissão Europeia e da austeridade sem fim".   

Ele ainda recordou os dramas econômicos e sociais destes anos.   

"Uma viagem que nunca foi fácil, mas que sempre teve um destino, mesmo nos dias mais escuros, nas tempestades mais fortes, afirmou.   

Tsipras também disse ter escutado muitas vezes "as sirenes do 'tudo é inútil', de que as coisas na Grécia não mudariam, de que os memorandos ficariam para sempre, de que não fazia sentido resistir contra Lestrigões e Ciclopes [gigantes da obra de Homero] e que pequena e débil Grécia não poderia jamais vencer esses desafios".   

"Hoje, neste ponto de partida, não cometeremos mais a Hybris [o conceito clássico de desequilíbrio] de ignorar as lições dos memorandos. Não nos deixaremos levar pelo esquecimento, não nos tornaremos em lotófagos [povo citado na Oddiseia que se alimentava de plantas narcóticas]. Não nos esqueceremos jamais das causas e das pessoas que levaram o país aos memorandos", acrescentou.   

Em seguida, Tsipras atacou "a proteção das grandes fortunas dos impostos, o entrelaçamento de interesses, a corrupção generalizada, a impunidade de uma série de grupos de negócios e grupos editoriais que durante anos acreditaram que o país pertencia a eles, o cinismo e o desprezo de uma elite política que acreditava que a Grécia era um feudo e os gregos, seus dóceis súditos", afirmou.   

O primeiro-ministro também disse que os gregos não se esquecerão dos países que os desprezaram e aqueles que os apoiaram durante a crise.   

"Agora temos novas batalhas pela frente. Os 'pretendentes' [homens que tentaram se casar com a mulher de Ulisses, Penélepe, quando acreditavam que o herói estava morto] contemporâneos estão aqui diante de nós. São aqueles que construíram, à sua imagem e semelhança a Grécia da corrupção, dos interesses e do poder para poucos. Aqueles que queriam o poder sem ser incomodados, sonegar impostos, tornarem-se parasitas ignorando o interesse público. aqueles que se consideram acima da lei ou de qualquer norma. E que tremem ante a ideia de uma justiça independente", prosseguiu.   

"Não deixaremos Ítaca nas mãos deles. Agora que atingimos nossa meta, temos a força de dar à nossa terra o que ela merece.   

Porque Ítaca é só o começo", finalizou. (ANSA)
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