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Coronavírus circula no Brasil pelo menos desde janeiro, aponta Fiocruz

Ilustração feita pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA representando o novo coronavírus - Handout .
Ilustração feita pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA representando o novo coronavírus Imagem: Handout .

Da Ansa, em São Paulo

11/05/2020 18h55

O novo coronavírus começou a circular no Brasil no fim de janeiro, mais de um mês antes da data oficial do registro do primeiro caso, em 26 de fevereiro, em São Paulo, segundo estudo divulgado hoje pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo a pesquisa, enquanto os países da Europa e das Américas faziam um monitoramento dos viajantes para identificar os casos importados da covid-19, a transmissão comunitária da doença já estava em curso.

No Brasil, por sua vez, o vírus começou a ser disseminado por volta da primeira semana de fevereiro, ou seja, antes do feriado de Carnaval. A primeira morte em decorrência do vírus no país foi registrada no Rio de Janeiro, na quarta semana epidemiológica, entre 19 e 25 de janeiro. Já a transmissão local ou comunitária estava em curso em São Paulo, em 4 de fevereiro, muito antes do 13 de março, data dos registros oficiais, informam os dados.

O estudo foi feito através de uma metodologia estatística de inferência, que utiliza como base os registros de falecimentos, além de análises dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

Em entrevista ao jornal "O Globo", o coordenador da pesquisa, Gonzalo Bello, do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC/Fiocruz, alerta para a propagação silenciosa da doença, além da necessidade de realizar testes de casos suspeitos para vírus respiratórios.

Segundo os autores do estudo, a circulação da covid-19 em todos os países analisados começou antes de qualquer implementação de medidas de controle, como restrições de viagens aéreas e políticas de distanciamento social.

"Esse período bastante longo de transmissão comunitária oculta chama a atenção para o grande desafio de rastrear a disseminação do novo coronavírus e indica que as medidas de controle devem ser adotadas, pelo menos, assim que os primeiros casos importados forem detectados em uma nova região geográfica", disse o pesquisador do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC/Fiocruz, Gonzalo Bello, coordenador da pesquisa.

Cada região parece ter seguido uma dinâmica própria no crescimento da epidemia. "Muito provavelmente, a dinâmica de expansão da epidemia foi definida por fatores locais, como características ambientais de temperatura, precipitação e poluição do ar, densidade e demografia da população", acrescentou o pesquisador do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz-Bahia), Tiago Graf.

Os pesquisadores alertam, ainda, que ações permanentes no combate ao coronavírus devem ser adotadas, já que a doença pode voltar a circular e causar novos surtos nos próximos anos.

"A intensa vigilância virológica é essencial para detectar precocemente a possível re-emergência do vírus, informando os sistemas de rastreamento de contatos e fornecendo evidências para realizar as medidas de controle apropriadas", completou Gonzalo.

Com a falta de testes para atender a toda a população, assim como o alto percentual de contaminados assintomáticos, os registros de óbitos passaram a ser vistos pela comunidade científica como as informações mais confiáveis a respeito do avanço da pandemia.

A Fiocruz explica que o número de mortes pode ser considerado como um "rastreador atrasado" para analisar o curso da covid-19 de forma retrospectiva — levando-se em conta que o tempo médio entre a infecção e o óbito por covid-19 é de cerca de três semanas, e a taxa de mortalidade é de aproximadamente 1%.

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