Volta às urnas em apenas seis meses e expectativas quanto ao Brexit: a eleição na Espanha em três pontos

  • Cesar Manso/AFP

    Cédulas de votação são recolhidas em seção eleitoral em Moncloa-Aravaca, em Madri, na Espanha

    Cédulas de votação são recolhidas em seção eleitoral em Moncloa-Aravaca, em Madri, na Espanha

Os espanhóis foram às urnas pela última vez em 20 de dezembro de 2015. Mas nesse domingo, boa parte do país precisa sair de casa novamente para votar.

Novas eleições legislativas foram convocadas por conta de um impasse criado após os dirigentes políticos dos quatro principais partidos não alcançarem uma maioria suficiente para formar um governo.

As pesquisas de opinião mostram uma vantagem dos conservadores, mas sem uma maioria folgada para formar um parlamento com governabilidade, de acordo com a agência de notícias Efe.

Além disso, o já complicado cenário político espanhol ficou ainda mais inflamado nesta sexta-feira, com o impacto causado pelo Brexit - a a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia.

Separamos três pontos cruciais para ajudar a entender a eleição espanhola.

1. Impasse provoca retorno às urnas

A votação de domingo foi convocada porque os partidos não conseguiram negociar um acordo, fazendo com que os espanhóis "repitam" uma eleição, com os mesmos candidatos, pela primeira vez desde a restauração da democracia no país, em 1977.

O impasse se formou em dezembro, quando o Partido Popular (PP), do premiê Mariano Rajoy, obteve 123 cadeiras do parlamento, contra 90 do PSOE (socialista), 69 do Podemos (esquerda) e 40 do Ciudadanos (liberal).

Assim, com maioria dos votos, mas sem maioria suficiente, o PP desistiu de tentar formar um governo. E o PSOE não teve sucesso em sua tentativa de garantir uma coalizão.

Agora, os 36,5 milhões de eleitores encaram a possibilidade de um parlamento fragmentado, com quatro grandes partidos e nenhum deles com possibilidades de governar sozinho.

2. Conservadores na liderança

Pesquisas de opinião sugerem que o PP deve sair vencedor na votação, mas sem maioria absoluta - o que pode levar a um novo impasse. Acostumada a se apresentar como símbolo de "estabilidade, segurança, certeza e confiança", a legenda se fia nos resultados da economia.

Rajoy, considerado pouco carismático e volúvel, orgulha-se ao lembrar que, no final de seu mandato, a combalida economia espanhola voltou a crescer, o que ajudou a reduzir o desemprego, ainda que a taxa de 20,9% registrada no final de 2015 ainda seja muito alta.

Embora os dados das pesquisas mudem consideravelmente, todas indicam que o partido de Rajoy será o mais votado, mas deve perder algumas de suas 123 cadeiras atuais.

A coalizão Unidos Podemos, liderada por Pablo Iglesias e originada em protestos de rua contra o governo, deve ficar em segundo e obter algo entre 10 e 15 deputados a mais do que seus 69 atuais.

O PSOE, dirigido por Pedro Sánchez, passaria, pela primeira vez desde a recuperação democrática na Espanha, ao terceiro lugar, enquanto o Ciudadanos de Albert Rivera manteria sua quarta posição com, mais ou menos, 40 cadeiras.

Vários outros partidos, entre eles os nacionalistas e os separatistas, somariam o restante até completar as 350 cadeiras da câmara.

Se as urnas confirmarem no próximo domingo os resultados das pesquisas, os partidos serão obrigados a negociar para estabelecer um novo governo, diálogo que já fracassou em dezembro.

3. Nuvem negra por conta do Brexit

Ainda não está claro se o Brexit vai influenciar o resultado das eleições. Sara Morais, do instituto de pesquisa GAD3, disse que a saída dos britânicos pode beneficiar tanto o Unidos Podemos como o PP.

"Pode haver mais votos a favor da estabilidade. Mas o Brexit também demonstra o poder das pessoas, traz uma mensagem de que as coisas podem, sim, ser mudadas. E isso dá força ao Podemos", disse a analista à agência AFP.

De qualquer jeito, a explosão da notícia do Brexit inflamou os debates na Espanha sobre estabilidade ou ruptura.

"É extremamente importante reforçarmos a estabilidade institucional e econoômica. Não é hora de inflamar as incertezas", disse Rajoy, em um pronunciamento transmitido em rede nacional. Ele não mencionou diretamente o Podemos, que quer o fim das políticas de austeridade apoiadas pela União Europeia, colocadas em prática pelo premiê, em 2011.

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Um dos principais aliados de Rajoy, José Manuel Garcia-Margallo, criticou o Podemos, chamando-o de eurocético.

"Radicalismos e populismo nunca trouxeram estabilidade", acrescentou a secretária-geral do PP, Maria Dolores de Cospedal. "Precisamos de um governo que trabalhe pela estabilidade da Espanha e em favor do projeto europeu."

Já o líder do Podemos, Pablo Iglesias, negou que queria abrir mão do euro, mas disse que a Europa precisa "mudar sua trajetória".

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