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Internacional

O que se sabe até agora sobre o acidente com o avião que levava a Chapecoense

29/11/2016 05h11

O avião que transportava o time de futebol da Chapecoense caiu na madrugada desta terça-feira na Colômbia, para onde a equipe viajava para disputar a primeira partida da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional de Medellín.

Setenta e sete pessoas estavam a bordo, entre jogadores, jornalistas e tripulantes - 71 morreram e seis sobreviveram. Veja abaixo o que foi esclarecido e o que ainda não se sabe sobre a queda do avião.

Causas e caixas-pretas

Segundo um comunicado do Aeroporto José María Córdoba, de Medellín, a tripulação comunicou uma emergência por "falhas elétricas" por volta das 22h15 locais (1h15 de Brasília).

De acordo com a imprensa colombiana, o piloto do avião teria conseguido descartar todo o combustível para evitar uma explosão e tentar o pouso de emergência. A informação não foi confirmada pelas autoridades, e especialistas ouvidos pela BBC Brasil a hipótese pouco provável.

Para eles, é mais crível que a aeronave tenha ficado sem combustível e sofrido uma pane elétrica, mas isso só poderá ser confirmado com o fim das investigações.

A Aerocivil, órgão da aeronáutica civil colombiana, afirmou à BBC Brasil que as duas caixas pretas do avião foram encontradas em perfeito estado.

Ainda na tarde de terça-feira, o presidente Colombiano Juan Manuel Santos disse que já havia sido iniciado uma esforço coordenado com as autoridades da Bolívia para a investigação das "circunstâncias exatas e possíveis causas desta triste tragédia".

O avião tinha 17 anos - idade "plenamente aceitável", segundo representante da empresa aérea Lamia, responsável pelo voo. Outros especialistas, porém, pensam o contrário.

Estado de saúde dos sobreviventes

Os médicos classificam como crítico o estado de saúde dos três jogadores e um jornalista brasileiros que sobreviveram ao acidente. As informações são do canal Sportv.

O goleiro Jackson Follmann, o lateral esquerdo Alan Ruschel, o zagueiro Hélio Neto e o jornalista Rafael Henzel estão em três hospitais, nas cidades de La Ceja e Rionegro, as mais próximas do local onde o avião caiu.

Além dos quatro brasileiros, também sobreviveram dois tripulantes colombianos, uma aeromoça identificada como Ximena Suarez e o técnico de voo Erwin Tumiri.

De acordo com o médico Juan Antonio Rodriguez, chefe do plantão no hospital San Juan de Dios, que falou com a jornalista Lívia Laranjeira, do Sportv, Neto e Rafael Henzel tiveram uma boa evolução nas últimas 12 horas.

"Mas o estado deles é considerado crítico e eles estão sob cuidados intensivos", informou Laranjeira, que está desde a noite de segunda-feira em La Ceja.

Segundo a jornalista, Neto e Henzel passaram por cirurgias para drenar o sangue e expandir os pulmões, porque chegaram ao hospital com traumas torácicos e hemorragias nos pulmões.

Os dois seguem entubados e devem permanecer respirando com ajuda de aparelhos por mais 48 horas, disse o médico à repórter.

Rodriguez informou também que nenhum dos dois têm contusões com sangramentos ou edemas no cérebro.

Neto já estaria começando a abrir os olhos e tossindo. "Ele parece estar acordando, mas os médicos pretendem mantê-lo em um estado de semiconsciência", disse à jornalista do Sportv.

Alan Ruschel foi transferido ainda na terça-feira do hospital San Juan de Dios para a Clínica Somer, na cidade de Rionegro, que fica a apenas 22 km de La Ceja.

Ele sofreu uma lesão entre duas vértebras e os médicos lutam para que o jogador não perca os movimentos das pernas.

O goleiro Follmann teve a perna direita amputada abaixo do joelho e está em estado crítico no Hospital San Vicente, também em Rionegro.

Uma equipe da Força Nacional do SUS foi enviada ainda na noite de terça para Medellín para dar apoio às famílias e ao transporte dos sobreviventes. A comitiva é integrada também por representantes do Itamaraty e da Polícia Federal, entre outros profissionais.

Local e resgate

A baixa visibilidade, o frio, a chuva e o terreno íngreme foram algumas das dificuldades encontradas pelas equipes de resgate colombianas no local da queda do avião que levava o time da Chapecoense.

O resgate começou na madrugada e se estendeu por quase todo o dia. No fim da tarde, seis pessoas haviam sido retiradas com vida e 71 corpos, resgatados. Também foram encontradas as caixas pretas do avião.

O local da queda fica em uma região montanhosa a cerca de 50 quilômetros de Medellín.

Na madrugada, a prioridade era encontrar sobreviventes. Quando o dia amanheceu, porém, dezenas de corpos começaram a ser retirados.

Mais de 300 pessoas trabalharam no resgate - a aeronave parece ter se despedaçado ao colidir com o topo da montanha.

Helicópteros fizeram manobras arriscadas para recolher os corpos. Os voos foram suspensos diversas vezes devido ao mau tempo.

Um total de 45 peritos devem dedicar os próximos dias à identificação das vítimas.

Chapecoense em luto

Em meio às primeiras informações sobre o acidente, a Chapecoense trocou seu escudo verde por outro preto na sua página no Facebook.

Em Chapecó, parentes, técnicos e jogadores que não estavam no avião que transportava o time de futebol da Chapecoense e que caiu na madrugada desta terça-feira na Colômbia se reuniram na sede do clube. Em estado de choque, muitos familiares passam mal em meio à espera por notícias a respeito do acidente.

"As mulheres dos jogadores estão sentadas mexendo nas chuteiras que ficaram, tem caso de desmaio, ambulância vindo de meia em meia hora. Todas as mulheres dos jogadores vêm chegando, todos os que sobraram estão reunidos em estado de choque, ninguém acredita", disse à BBC Brasil Marcelo De Quadros Kunst, auxiliar técnico de goleiro da Chapecoense.

Segundo Kunst, há cerca de 200 pessoas se reuniram na sede do clube em Chapecó. O auxiliar era uma das pessoas que poderiam estar no voo, mas ficou no Brasil porque um técnico acompanha o time e o outro treina os reservas e os que, por algum motivo, não viajaram.

A última vez em que ele viu os jogadores que estavam a bordo do avião foi no jogo contra o Palmeiras no Campeonato Brasileiro, dois dias antes.

A Chapecoense faria sua estreia numa final internacional ao disputar o título da Copa Sul-Americana com o Atlético Nacional de Medellín.

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