7 mudanças nas relações entre o mundo e os EUA sob Trump

  • Carolyn Kaster/NYT

    O presidente norte-americano, Donald Trump, completa cem dias no poder

    O presidente norte-americano, Donald Trump, completa cem dias no poder

O governo de Donald Trump nos Estados Unidos completa 100 dias neste fim de semana. A relação do país com o resto do mundo mudou de maneira significativa após a posse do novo presidente. A BBC Brasil lista abaixo sete dessas mudanças.

1 - Aumento de tensões nucleares na Ásia

Com Donald Trump na Presidência, as tensões em relação à segurança aumentaram muito na Ásia.

Antes mesmo de tomar posse, ele fez comentários sobre o Taiwan nas redes sociais, incitando uma reaproximação --o que irritou bastante a China. Depois, o secretário de Estado, Rex Tillerson, falou sobre bloquear o acesso da China às ilhas artificiais que ela própria está construindo no Mar da China Meridional, gerando alertas sobre um possível choque militar no jornal estatal.

Japão e Coreia do Sul também foram o alvo de Trump por "confiarem demais" nos Estados Unidos --ele até disse que eles se beneficiariam se tivessem seu próprio arsenal nuclear.

E há ainda o Estado renegado da região, a Coreia do Norte, que está desenvolvendo suas próprias armas nucleares e que vem protagonizando um aumento da tensão com os EUA desde que Trump assumiu o cargo.

Sob o governo do presidente Barack Obama, a política diante do país era a de "paciência estratégica", ou seja, espremer a Coreia do Norte com sanções, convencer outros governos a fazer o mesmo --a China em especial-- e esperar.

Mas o vice-presidente de Trump, Mike Pence, já disse que "a era da paciência estratégica acabou".

A administração dele diz que "todas as opções agora estão na mesa", e o anúncio de Trump de que ele estaria enviando uma "armada" de navios de guerra para a península coreana acendeu ainda mais a preocupação sobre uma possível ação militar americana na região.

Em resposta, a Coreia do Norte optou por desafiar Trump e ameaçou fazer testes de mísseis semanalmente e alertou que estaria "pronta para a guerra".

Mas a confusão foi aumentando dez dias depois, quando surgiu a notícia de que os navios militares dos Estados Unidos --aqueles que Trump disse ter enviado para a Península coreana-- estavam, na verdade, indo para a direção oposta.

Enquanto a Casa Branca esclarecia o paradeiro dos navios e insistia que eles estavam a caminho, Trump mudou seu foco e passou a pressionar a China para tomar alguma atitude.

"A China funciona como a grande salvação econômica para a Coreia do Norte, então se ela quiser resolver o problema da Coreia do Norte, ela pode", tuitou o presidente.

Mas, neste fim de semana, o presidente voltou a defender a China depois de a Coreia do Norte afirmar ter realizado mais um teste com míssil, que fracassou antes mesmo de deixar o território do país.

Trump acusou Pyongyang de "desrespeitar" a China e seu presidente com o novo teste.

O próximo passo dele com relação a essa questão é desconhecido, mas as tentativas iniciais desse presidente imprevisível para enfrentar o país mais imprevisível do mundo já deram mostras de um ponto de conflito que terá mais e mais capítulos nos próximos anos.

2- Relação com a Rússia ainda mais complicada

Durante a campanha eleitoral dos Estados Unidos, Trump elogiou o presidente russo dizendo que Vladimir Putin era um "líder muito forte, com quem ele adoraria ter uma boa relação".

Isso foi antes das agências de inteligência americanas terem afirmado que a Rússia havia sido responsável por hackear os e-mails do Partido Democrata durante a campanha para a Presidência.

A publicação explosiva de um dossiê não verificado alegando que a Rússia teria um material comprometedor sobre Trump também levantou questões espinhosas sobre ele. O presidente, porém, descartou as acusações, dizendo que eram "notícias falsas".

Mas preocupações sobre vínculos de seu governo com a Rússia continuam a assombrar sua Presidência --tanto que o conselheiro de segurança nacional Michael Flynn renunciou ao cargo de repente após conversas com o embaixador russo.

Trump disse que queria começar o governo confiando no presidente Putin, mas alertou que isso "pode não durar muito". E parece mesmo que não durou. A relação aparentemente sofreu uma rusga depois do apoio da Rússia ao governo sírio, mesmo depois de um ataque químico no país, atribuído a Bashar al-Assad.

O presidente prosseguiu e disse que a relação entre Estados Unidos e Rússia "pode ter atingido um nível absoluto de distanciamento". Ele reiterou que "seria algo fantástico" se os dois países melhorassem seus laços, mas alertou que agora "pode estar acontecendo exatamente o contrário".

3 - Uso da força bélica

O ex-presidente Barack Obama foi eleito para acabar com as guerras americanas no Iraque e no Afeganistão e relutava muito sobre qualquer participação em outro conflito no Oriente Médio.

Mesmo quando a escala de atrocidades na Síria ficou clara para todos, ele continuou convencido de que intervenção militar seria um ato com um custo altíssimo.

Em vez disso, a administração de Obama focou em oferecer ajuda humanitária, financiar rebeldes moderados na Síria e promover a ideia do "cessar-fogo", fortalecendo negociações que pediam a saída do presidente Assad.

De início, Donald Trump também era contrário à ação militar americana na Síria, e achava que o foco deveriam ser as políticas domésticas. "Esqueçam a Síria e vamos fazer a América ser gigante de novo", tuitou ele em 2013.

Então foi uma bela reviravolta quando o presidente ordenou ataques de mísseis americanos em uma base aérea síria em abril e começou a demonstrar mais o uso da força militar dos EUA.

Trump justificou a ação na Síria, dizendo que o ataque químico pelo qual o governo sírio teria sido responsável tinha mudado sua percepção das coisas.

"O ataque em crianças teve um grande impacto em mim", disse.

A resposta americana com mísseis marcou a primeira vez que os Estados Unidos tiveram o governo sírio como alvo direto desde que o conflito por lá começou.

Isso aconteceu apenas alguns dias antes do governo de Trump ter mostrado sua força militar mais uma vez, nos militantes do grupo autodenominado "Estado Islâmico" no Afeganistão com a explosão da chamada "mãe de todas as bombas", que até então nunca havia sido utilizada pelos americanos em combate.

Agora, com um gasto bem maior com defesa, os Estados Unidos aparentemente estão querendo assumir um papel mais ativo em conflitos externos.

4 - Foco na Otan

O ex-presidente Barack Obama foi eleito para acabar com as guerras americanas no Iraque e no Afeganistão e relutava muito sobre qualquer participação em outro conflito no Oriente Médio.

Mesmo quando a escala de atrocidades na Síria ficou clara para todos, ele continuou convencido de que intervenção militar seria um ato com um custo altíssimo.

Em vez disso, a administração de Obama focou em oferecer ajuda humanitária, financiar rebeldes moderados na Síria e promover a ideia do "cessar-fogo", fortalecendo negociações que pediam a saída do presidente Assad.

De início, Donald Trump também era contrário à ação militar americana na Síria, e achava que o foco deveriam ser as políticas domésticas. "Esqueçam a Síria e vamos fazer a América ser gigante de novo", tuitou ele em 2013.

Então foi uma bela reviravolta quando o presidente ordenou ataques de mísseis americanos em uma base aérea síria em abril e começou a demonstrar mais o uso da força militar dos EUA.

Trump justificou a ação na Síria, dizendo que o ataque químico pelo qual o governo sírio teria sido responsável tinha mudado sua percepção das coisas.

"O ataque em crianças teve um grande impacto em mim", disse.

A resposta americana com mísseis marcou a primeira vez que os Estados Unidos tiveram o governo sírio como alvo direto desde que o conflito por lá começou.

Isso aconteceu apenas alguns dias antes do governo de Trump ter mostrado sua força militar mais uma vez, nos militantes do grupo autodenominado "Estado Islâmico" no Afeganistão com a explosão da chamada "mãe de todas as bombas", que até então nunca havia sido utilizada pelos americanos em combate.

Agora, com um gasto bem maior com defesa, os Estados Unidos aparentemente estão querendo assumir um papel mais ativo em conflitos externos.

5 - Futuro do livre comércio incerto

Com suas políticas de comércio, Donald Trump parece estar implantando a mudança mais significativa em décadas na forma como os americanos negociam com o resto mundo.

Ele já ameaçou acabar com uma série de acordos de livre comércio, como o Nafta, entre Estados Unidos, Canadá e México --ele culpa o bloco pelas perdas de emprego nos Estados Unidos. Ele chegou até a sugerir a saída do país da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Desde que venceu a eleição, Trump focou em ameaçar empresas, principalmente as fabricantes de automóveis, dizendo que iria aumentar em 35% os impostos de bens fabricados no México.

Ainda não está claro o quão longe ele está disposto a ir com isso.

Mas em seu primeiro dia no cargo, Trump deixou o TPP (Acordo Transpacífico de Cooperação Econômica), um acordo comercial que envolvia 12 países e representava 40% da produção econômica mundial. O acordo ainda não havia sido ratificado por um Congresso, que estava dividido, mas a ordem executiva de. Trump retirou completamente a participação dos EUA.

"O objetivo por trás de sua política comercial é criar empregos nos Estados Unidos, acabar com o déficit comercial e conseguir "bons negócios" para os americanos.

Para isso, ele já estabeleceu como alvo o programa de vistos de trabalho do país e exigiu uma revisão das isenções que eram permitidas por acordos de livre comércio para checar se eles permitiam que uma empresa estrangeira minasse uma americana no mercado internacional.

No entanto, ele voltou atrás numa promessa de campanha, quando prometeu chamar a China de "manipuladora do câmbio" --especialistas o alertaram de que isso poderia ter provocado uma guerra comercial.

6 - Repensando o aquecimento global

Outra promessa de governo que acabou não se cumprindo nesta fase inicial do governo está relacionada às mudanças climáticas.

Durante a campanha, Trump disse que iria "cancelar" o acordo de clima de Paris logo nesses primeiros cem dias. Isso não aconteceu e seus conselheiros estão agora como opiniões divididas sobre fazer isso ou não.

Embora ainda não tenha cancelado o tratado, Trump deu grandes passos na promessa de reverter as regulamentações sobre mudanças climáticas introduzidas pelo presidente Obama.

Ele assinou uma ordem executiva em março que reverteu o Plano de Energia Limpa --que exigia que estados regulamentassem suas usinas--, mas parou por aí, enquanto segue enfrentando processos na Justiça.

O presidente disse que a ordem era necessária para garantir a independência americana em energia e gerar mais empregos. Mas grupos ambientalistas alertaram que desfazer as regulamentações teria sérias consequências tanto nos Estados Unidos, quanto no mundo.

Trump também negou repetidamente a ciência da mudança climática causada pelo homem e a descreveu como "fictícia". Mas, assim como em muitas outras questões, ele expressou opiniões contraditórias sobre isso.

Em novembro, por exemplo, Trump disse ao "New York Times" que reconhecia que havia "alguma conectividade" entre a atividade humana e as mudanças climáticas e que "daria uma olhada" no acordo de Paris, em vez de manter sua decisão de tirar os Estados Unidos do tratado.

Mesmo que ele quisesse fazer isso, no entanto, o país continua legalmente dentro do acordo de Paris por quatro anos. Outras "barreiras legais e processuais" também inibiriam Trump de uma revisão completa da política de clima dos Estados Unidos, segundo o "New York Times".

Mas críticos dizem que sua postura pode fazer com que outros governos fiquem relutantes e céticos sobre a questão de reduzir as emissões de gases que contribuem para o aquecimento global.

7 - Acordo nuclear com Irã em dúvida

Para o ex-presidente Barack Obama, o acordo que impunha sanções ao Irã se o país fizesse uso de suas armas nucleares havia sido um "tratado histórico".

Trump discorda. Ele classifica a negociação como "o pior acordo jamais negociado pelos Estados Unidos" e já afirmou que a prioridade seria acabar com o tratado --ainda que não tenha especificado o que faria no lugar.

Mais recentemente, o governo anunciou uma revisão de toda a política dos Estados Unidos no Irã - o que incluiria não somente o acordo nuclear, mas também as ações dos iranianos no Oriente Médio, onde o país é peça-chave no conflito da Síria e um rival da Arábia Saudita e de Israel.

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, já pediu a Trump que se mantenha comprometido com o acordo nuclear, debatido com várias potências mundiais.

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, foi mais contundente. "Se rasgarem o acordo, nós vamos queimá-lo", disse ele, segundo a agência de notícias AP.

De toda forma, as relações dos Estados Unidos com o Irã não tiveram um bom começo sob o governo de Trump, com novas sanções impostas pelos americanos após o país realizar um teste de míssil balístico.

"O Irã está brincando com fogo", Trump tuitou.

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