A caravana de refugiados da América Central que está em um limbo legal na fronteira entre o México e os EUA

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A caravana de imigrantes que saiu da América Central em meados de março e atravessava o México em abril chegou à fronteira com os Estados Unidos, onde se encontra em uma espécie de limbo legal, aguardando o resultado de pedidos para entrar no país.

Centenas de pessoas que estão no comboio tentam obter asilo em território americano, mas o Serviço de Controle Alfandegário e de Fronteiras dos EUA (CBP, da sigla em inglês) informou que, por falta de capacidade de atendimento, não poderá lidar com os seus pedidos de uma só vez.

Entre 150 e 200 pessoas, incluindo crianças, esperam para falar com as autoridades americanas.

A caravana havia partido da cidade de Tapachula, no sul do México, e chegou a incorporar cerca de duas mil pessoas no início. A maioria, porém, deixou o grupo ao longo do percurso, completado a pé, ônibus e trem, para se estabelecer no México ou tentar chegar aos Estados Unidos longe do foco das câmeras.

Imigrantes

Ao longo da viagem, refugiados de El Salvador, Nicarágua e Guatemala se juntaram aos imigrantes hondurenhos na caravana.

Eles dizem que buscam asilo para escapar da violência em seus países. Alguns alegam que correm risco de morte por gangues, outros, que são perseguidos políticos ou que tiveram familiares assassinados. Ou fogem de maus tratos, como no caso de Aura, que está há quatro meses na estrada com seu filho Anthony, de dois anos e meio.

A jovem, de 25 anos, resolveu se juntar ao grupo por estar convencida de que seria morta pelo pai de seu filho se permanecesse em seu país, a Guatemala.

Agora, ela estuda um jeito de permanecer em Tijuana, no lado mexicano da fronteira, pois não quer cruzar a fronteira enfrentando algum risco de ser separada do filho.

"Se alguma coisa acontecer comigo, ele fica sozinho", explica, com o menino nos braços.

'Precisamos do muro'

Antes mesmo de chegarem à fronteira, porém, os EUA já sinalizavam que eles não seriam recebidos de braços abertos.

"Precisamos do muro!", escreveu, em caixa alta, o presidente Donald Trump em sua conta no Twitter ainda no início de abril, alertando sobre a caravana e fazendo uma referência a uma de suas promessas-chave de campanha: a construção de um "muro enorme e bonito" na fronteira com o México para frear a imigração ilegal e o narcotráfico.

O presidente afirmou, na época, que a movimentação de imigrantes rumo à fronteira sul dos EUA contava com condescendência de autoridades mexicanas.

Ainda no Twitter, ele ameaçou suspender o Nafta, o bloco econômico formado por EUA, Canadá e México, que chamou de cash cow (no sentido de "galinha dos ovos de ouro") do México.

"O México está fazendo muito pouco, ou nada, para parar o fluxo de pessoas que atravessam a fronteira sul e seguem em direção aos EUA. Eles riem das nossas estúpidas leis de imigração. Eles têm que interromper o fluxo de pessoas e drogas...", escreveu.

Com a aproximação da caravana, Trump ordenou o envio de soldados da Guarda Nacional para reforçar a segurança na fronteira.

Voluntários que acompanham o grupo disseram que os imigrantes têm o direito legal de pedir asilo em uma porta de entrada para os Estados Unidos.

"Parem de rejeitá-los. Eles não estão infringindo a lei!", exclama Nicole Ramos, advogada da organização Al otro lado, que ofereceu assessoria jurídica aos membros da caravana.

'Não somos criminosos'

Ao longo do domingo, os imigrantes repetiam em uma música o bordão "Nós, imigrantes, não somos criminosos, somos trabalhadores internacionais".

Enquanto cantavam, na manhã de domingo, durante um evento no Parque Amistad, em Playas de Tijuana, puderam observar, emocionados que, do lado americano, pessoas se aproximavam da fronteira com mensagens de apoio.

Uma grande cerca bloqueia o caminho. E autoridades americanas ameaçam prender quem tentar "pular" a cerca e tentar atravessar a fronteira de forma ilegal.

*Com informações de Beatriz Díez, correspondente da BBC Mundo.

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