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As reações à ideia de Trump de comprar a Groenlândia da Dinamarca

22.jun.2019 - O presidente dos EUA, Donald Trump, acena na Casa Branca antes de decolar no helicóptero Marine One para Camp David - Saul Loeb/AFP
22.jun.2019 - O presidente dos EUA, Donald Trump, acena na Casa Branca antes de decolar no helicóptero Marine One para Camp David Imagem: Saul Loeb/AFP

16/08/2019 15h28

Funcionários da ilha dizem que estão interessados em comércio e cooperação, mas que o local não 'está à venda'.

A Groenlândia disse "não estar à venda" depois que o presidente americano Donald Trump afirmou que gostaria que os Estados Unidos comprassem a ilha.

Trump teria discutido a ideia de comprar a Groenlândia, um território dinamarquês autônomo, durante jantares e reuniões com assessores.

Os planos de Trump também foram rapidamente descartados por políticos na Dinamarca. "Deve ser uma piada do dia da mentira... mas totalmente fora (de época)!", escreveu no Twitter Lars Lokke Rasmussen, ex-primeiro-ministro do país.

O jornal americano Wall Street Journal, primeiro a publicar a história, disse que Trump falou sobre a compra com "graus variados de seriedade".

Fontes citadas por outros veículos de comunicação divergiram se o presidente estava brincando ou falando seriamente sobre a possibilidade de expandir o território dos Estados Unidos.

Como a Groenlândia reagiu à ideia de Trump?

"A Groenlândia é rica em recursos valiosos, como minerais, água e gelo, tem estoques de peixes, frutos do mar, energia renovável e é uma nova fronteira para o turismo de aventura. Estamos abertos para negócios, não para a venda", disse o Ministério das Relações Exteriores nas redes sociais.

O primeiro-ministro da Gronelândia, Kim Kielsen, repetiu os comentários. "A Groenlândia não está à venda, mas está aberta ao comércio e cooperação com outros países, incluindo os Estados Unidos", disse.

A parlamentar Aaja Chemnitz Larsen rechaçou a fala de Trump. "Não, obrigada", escreveu ela no Twitter.

Poul Krarup, editor-chefe do jornal Sermitsiaq, da Groenlândia, disse à BBC News que "não podia acreditar" nos comentários de Trump. "A Groenlândia é uma área independente no reino dinamarquês e deve ser respeitada como tal", disse ele.

E ele afirma que as chances das supostas ambições de Trump darem certo são improváveis.

"Gostaríamos de cooperar com os Estados Unidos, sem dúvida, mas somos independentes e decidimos quem são nossos amigos."

E o que pensa a Dinamarca?

Políticos da Dinamarca ridicularizaram a possibilidade de venda.

"Se ele (Trump) está verdadeiramente pensando nisso, então esta é a prova final de que ele enlouqueceu", disse o porta-voz do Partido Popular Dinamarquês, Soren Espersen, à emissora local DR.

"A ideia da Dinamarca vendendo 50 mil cidadãos para os Estados Unidos é completamente ridícula."

"Esqueça", escreveu o deputado conservador dinamarquês Rasmus Jarlov, também no Twitter.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que assumiu o cargo no início deste ano, não comentou o assunto. Uma visita dela à ilha está prevista para este fim de semana - e ela disse estar "muito ansiosa" com a viagem.

Já Trump tem uma viagem marcada para a Dinamarca em setembro, mas não há indicação de que discussões sobre a aquisição da Groenlândia farão parte da agenda.

O Wall Street Journal informou que não estava claro como os EUA poderiam adquirir a ilha se Trump estivesse falando sério.

A Groenlândia é a maior ilha do mundo depois da Austrália. É um território dinamarquês autônomo, localizado entre os oceanos Atlântico Norte e o Ártico.

A população da ilha é de cerca de 56 mil pessoas. Quase 90% são indígenas inuítes gronelandeses. Também há um governo autônomo e um Parlamento próprio.

Mais de 80% da ilha são cobertos por uma calota de gelo. Acredita-se que o aquecimento global esteja causando o derretimento da cobertura de gelo cada vez mais rapidamente.

Por que a Groenlândia pode ser atrativa para o EUA?

Trump teria se interessado pela Groenlândia, em parte, por causa de seus recursos naturais, como carvão, zinco, cobre e minério de ferro.

Mas, embora a Groenlândia possa ser rica em minerais, atualmente depende da Dinamarca para bancar dois terços de sua receita orçamentária. Por outro lado, os índices de suicídio são altos, assim como os de alcoolismo e de desemprego.

Duas fontes disseram ao jornal The New York Times que Trump também estava interessado no "valor para a segurança nacional", devido a localização da Groenlândia.

Os Estados Unidos veem a ilha como estrategicamente importante. No início da Guerra Fria, o país estabeleceu uma base aérea e de radar no local.

O deputado republicano Mike Gallagher descreveu a ideia de Trump como um "movimento geopolítico inteligente".

"Os Estados Unidos têm um interesse estratégico na Groenlândia, e isso deve estar absolutamente na mesa", ele tuitou.

Os países podem comprar territórios?

Historicamente, os países adquiriram territórios não apenas através da conquista militar, mas também por meio acordos financeiros.

Em 1803, os Estados Unidos adquiriram cerca de 2,1 milhões de quilômetros quadrados de terras da França por U$ 15 milhões - era o Estado da Louisiana. Em 1867, os americanos chegaram a um acordo com a Rússia para comprar o Alasca por U$ 7,2 milhões.

Os Estados Unidos posteriormente compraram as Índias Ocidentais dinamarquesas em 1917 e as renomearam como Ilhas Virgens Americanas.

No entanto, o professor de direito Joseph Blocher escreveu em 2012 que o "mercado do território soberano parece ter secado".

"Com certeza, ainda existe um mercado ativo para proprietários de terras públicas... Mas fronteiras - território soberano, em vez de propriedade - não parecem estar à venda."

Os Estados Unidos já tentaram comprar a Groenlândia?

Trump não é o único presidente americano a ter tido um interesse em comprar a Groenlândia.

Em 1946, o então presidente Harry Truman ofereceu à Dinamarca U$ 100 milhões pelo território. Ele já havia brincado com a idéia de trocar terras no Alasca por partes estratégicas da Groenlândia, segundo a agência de notícias AP.

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