Ex-ditador do Chade é condenado a prisão perpétua

Hissène Habré, que governou o país entre 1982 e 1990, é culpado de crimes contra a humanidade, trabalho escravo e sequestro. Para Human Rights Watch, condenação histórica abre precedente contra outros líderes africanos.

O ex-ditador do Chade Hissène Habré foi condenado nesta segunda-feira (30/05) à prisão perpétua por crimes contra a humanidade.

"Hissène Habré, este tribunal o considera culpado por crimes contra a humanidade, violações, trabalho escravo e sequestro", afirmou o presidente do tribunal especial do Senegal, Gberdao Gustave Kam, ao ler a sentença.

A defesa tem 15 dias para recorrer da decisão. Habré se recusou a acompanhar os dez meses de julgamento, alegando não reconhecer a legitimidade do tribunal.

Ao menos 40 mil pessoas foram mortas sob o regime de Habré entre 1982 e 1990. O governo do ex-presidente foi marcado por repressão a opositores e ataques contra grupos étnicos rivais. A polícia secreta espalhava terror nas prisões do país, segundo relatos de testemunhas.

Processo histórico

O tribunal especial que julgou Habré foi criado pela União Africana por meio de um acordo com o Senegal. Essa é a primeira vez que o país processa um antigo líder de outra nação por abuso de direitos humanos.

Ativistas têm a expectativa de que o processo histórico desencadeie investigações contra outros líderes africanos.

"Esse veredicto envia uma poderosa mensagem de que os dias em que os tiranos podiam brutalizar seu povo, roubar sua riqueza e escapar para ter uma vida de luxo no exterior estão chegando ao fim", afirmou Reed Brody, advogado da Human Rights Watch que trabalhou nos últimos 15 anos com as vítimas para levar Habré à Justiça.

KG/lusa/afp

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