Como a imprensa europeia abordou o Brexit

Érika Kokay

Enquanto os jornais britânicos se mostram divididos sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, principais veículos do resto da Europa criticam resultado do referendo. "Catástrofe histórica", opina diário alemão.

A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) foi o grande destaque da imprensa nesta sexta-feira (24/06) em todo continente europeu. No referendo, realizado na véspera, 51,9% dos eleitores britânicos votaram pela saída do país do bloco, enquanto 48,1% quiseram a permanência.

O resultado já rendeu consequências alarmantes, como a renúncia do primeiro-ministro David Cameron, o desejo de separatismo da Escócia e o abalo de mercados financeiros pelo mundo.

Para o jornal britânico The Guardian, essas consequências "começam a remodelar o futuro do Reino Unido de maneira profunda e potencialmente perigosa". "O país embarcou numa arriscada jornada na qual nossa política e economia precisam ser transformadas", diz o editorial publicado na internet.

O texto - intitulado "A votação está feita, agora temos que enfrentar as consequências" - diz ainda que o país precisa não só passar por cima dessas sequelas, mas também por cima "da negligência econômica e da alienação social que conduziram o Reino Unido em direção à porta de saída".

As manchetes dos jornais britânicos desta sexta-feira e do sábado, antecipadamente divulgadas, revelam que a imprensa também está dividida em relação ao Brexit. O The Times, por exemplo, estampa a frase "Terremoto Brexit", e o Daily Mirror questiona: "O que diabos acontece agora?".

Já o jornal The Daily Telegraph classifica a separação como "o nascimento de um novo Reino Unido". No texto, o veículo afirma que políticos conservadores como Boris Johnson e Michael Gove já preparam um "dream team" (equipe perfeita) para assumir a liderança do novo "governo Brexit".

O também britânico Financial Times acusa o Reino Unido de ter "varrido 50 anos de política externa" e de ter "virado as costas para a União Europeia". A votação foi um "rugido de raiva" dos eleitores que se sentiam alienados por Londres e pela globalização", acrescenta o veículo.

O jornal alemão Die Zeit, em texto que se mostra pessimista com os resultados do referendo, acusa os populistas britânicos de terem "influenciado, com ameaças e mentiras, a decisão dos eleitores". "Diante de uma questão tão complexa, não deveria ter-se realizado um referendo", opina o veículo. Já o jornal Süddeutsche Zeitung classifica como "catástrofe histórica".

Na capa da edição que irá às bancas neste sábado, o também alemão Bild traz uma foto em preto e branco da bandeira britânica e destaca a frase: "Dia sombrio para a Europa". O texto ainda afirma que, com o Brexit, "a Alemanha perde um dos seus mais importantes parceiros na União Europeia". Enquanto isso, "o continente tem meses, talvez anos, de incerteza pela frente", diz o jornal.

Em editorial, o espanhol El País diz que a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia "envolve consequências extremamente prejudiciais para todos os atores, para a política e para a economia, e para a esperança de melhorar e completar o projeto comum".

O jornal, porém, afirma que ainda há chance para os britânicos, caso "adotem as atitudes e políticas necessárias para converter o que se apresenta como um desastre numa oportunidade para o futuro". "Traçar o diagnóstico mais profundo do problema é requisito fundamental para canalizá-lo", diz.

Também em editorial publicado na internet, o jornal francês Le Monde foca suas críticas não no Reino Unido, mas na União Europeia. Para o veículo, o referendo "desafia algo muito maior do que o futuro das relações entre Reino Unido e Europa". "O projeto europeu por completo pode ser questionado. Nada menos que isso", destaca o texto.

"Precisamos falar sobre as coisas como elas são. A UE está indo mal. Os líderes dos 28 países alcançaram picos de incompetência e covardia ao lidar com a crise do euro e com a crise migratória. Daí a impopularidade atual do projeto europeu entre os países da União Europeia", opina o Le Monde.

Por fim, o editorial francês diz que o bloco econômico precisa de "um exame de consciência e fazer um balanço do que funciona e do que não funciona" no projeto. Para o jornal, a União Europeia só não pode "continuar a se desintegrar, com ou sem nossos amigos britânicos".

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