Checkpoint Berlim: Arsenal pirotécnico

Clarissa Neher

No Réveillon, as ruas de Berlim viram palco de uma batalha de fogos de artifício amadores. Deslocar-se pela cidade exige muita atenção e coragem, e pedestres precisam desviar de foguetes desgovernados.Enquanto o Natal em Berlim costuma ser lindo e mágico, o Ano Novo parece um filme de ação. Um espírito de guerra invade a cidade, e a batalha pirotécnica começa ao cair da noite. Na Alemanha, há uma fascinação por fogos de artifício, e muitas pessoas investem todas as economias do ano para preparar seu próprio show pirotécnico ao ar livre. Nas viradas de ano que passei em Berlim, constatei que muitos perdem a noção da realidade ao entrar em contato com a pirotecnia amadora. Fogos de artifício são lançados sem nenhum cuidado, colocando em risco passantes desavisados. Com a aproximação da virada, as ruas ficam cada vez mais perigosas, cheias desses seres deslumbrados. À meia-noite, a guerra pirotécnica atinge seu auge. É gente soltando fogos de artifício para tudo quanto é lado, inclusive de janelas e sacadas de prédios mirando em quem está parado na rua. Certo ano, tentei ir até uma ponte perto da minha casa, que tinha uma visão ampla da cidade, mas não consegui passar da esquina, pois a rua parecia um campo de batalha com fogos explodindo em diversas frentes. Foi quando aprendi que fogos de artifício fabricados na Alemanha não são bons. Os fabricados na Polônia – proibidos aqui – são muito mais poderosos, segundo meu vizinho, que todo ano compra seu arsenal pirotécnico no país vizinho, cuja fronteira fica a cerca de 100 quilômetros da capital alemã. Apesar da loucura, se acompanhado de algum local seguro, o espetáculo é bonito e bem mais longo dos que os tradicionais shows da virada no Brasil – em Berlim, a queima de fogos pode se estender por mais de uma hora sem parar. Por incrível que pareça, acontecem poucos acidentes. Volta e meia há princípio de incêndio em prédios, mas quase ninguém sai ferido. Ainda não descobri o segredo alemão para evitar essas tragédias, pois com a guerra da virada, surpreendentemente salvam-se todos. Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às sextas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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