EUA mantêm isolamento na proteção do clima global

Presidente Trump deixou em aberto se acatará os termos do Acordo de Paris. Líderes mundiais e ONGs lamentam impasse. Também no livre-comércio e na migração, posição americana frustra expectativas de avanço.Numa declaração divulgada neste sábado (27/05), os líderes do Grupo dos Sete (G7) admitem que os Estados Unidos ainda "estão revendo suas políticas sobre a mudança climática e o Acordo de Paris, e portanto não estão em posição de aderir ao consenso nesses tópicos". Mais tarde, o presidente dos EUA escreveu no portal de mensagens Twitter que "vou tomar minha decisão final sobre o Acordo de Paris na próxima semana". Os líderes dos todos os outros seis países – Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido –, presentes à cúpula em Taormina, Itália, ratificaram seu comprometimento com o pacto que entrou em vigor em 4 de novembro de 2016. Para alguns observadores do encontro, o isolamento americano representa uma situação bastante inusitada, que também pode ser resumida na frase "Donald Trump contra todos, na proteção do clima". A chanceler federal alemã, Angela Merkel, descreveu como "muito insatisfatórias" as conversações sobre o clima, acrescentando que "não há indicação se os EUA permanecerão no acordo ou não". A chefe de governo disse que no pacto de Paris não deve haver concessões, pois não se trata de "um acordo qualquer", e sim "do acordo-chave que configura a globalização atual". Indagado na noite da véspera sobre o posicionamento de Trump, o diretor do Conselho Econômico Nacional americano, Gary Cohn, presente no encontro na cidade siciliana, adiantou que "as visões dele estão evoluindo, ele veio para aprender e ficar mais esperto". Segundo o consultor de Segurança Nacional, H.R. McMaster, o chefe de Estados tomará sua decisão baseado "no que é melhor para o povo americano". "Trump em descompasso com o resto do mundo" Alguns diplomatas europeus também tentaram dar uma interpretação positiva da situação. Um funcionário francês saudou o fato de que "Trump se propôs a um diálogo, fez perguntas, escutou argumentos e vai permanecer no jogo". Por sua vez, a organização ambiental Greenpeace lamentou o impasse, esperando que Trump vá confirmar seu comprometimento com a proteção do clima na cúpula do G20 marcada para julho, na cidade alemã de Hamburgo. "Europa, Canadá e Japão se levantaram hoje e tomaram uma posição, revelando mais uma vez o quanto Trump está em descompasso com o resto do mundo, na mudança do clima", comentou a diretora executiva da Greenpeace International, Jennifer Morgan, acrescentando que a revolução da energia limpa é irrefreável. "Os líderes devem agora manter sua resolução e assegurar que o G20 sinalize ambição climática ainda maior." Vago sobre o protecionismo, duro com a imigração O documento final da cúpula do G7 em Taormina, que contou apenas seis páginas, deixou patente que o presidente dos EUA também resistiu a pressão para se posicionar em questões cruciais como o livre-comércio e a migração. Apesar da resistência inicial e de sua agenda explícita de "America first", a administração Trump aceitou que a declaração incluísse um apelo pelo combate ao protecionismo. "Juntos, vamos manter nossos mercados abertos e combater o protecionismo, assegurando, ao mesmo tempo, que práticas comerciais desleais sejam confrontadas com rigor", comentou a premiê Merkel. Segundo um alto funcionário da Casa Branca, na sexta-feira Trump teria dito aos demais seis líderes que os EUA simplesmente tratarão os outros países da mesma forma como forem tratados. Um diplomata europeu, que pediu para permanecer anônimo, disse considerar um "passo adiante" o fato de que "no fim, nós convencemos [os EUA] a incluírem a luta contra o protecionismo no comunicado final". Um esboço vazado para a imprensa sugere que os sete chefes de Estado e governo acordaram sobre uma declaração, que se crê tenha sido fortemente influenciada por Trump, reforçando os direitos dos governos de coibirem a imigração. Para a ONG britânica humanitária Oxfam, o "escândalo da cúpula" é "que líderes do G7 venham logo aqui, na Sicília, à beira do mar onde 1.400 pessoas se afogaram, só neste ano, e viajem para casa hoje à noite sem ter feito nada de sério a respeito". Nos últimos quatro anos, centenas de milhares de migrantes africanos atravessaram o Mar Mediterrâneo para buscar refúgio de guerras e pobreza, indo parar na pitoresca ilha. A Itália esperava poder convencer seus companheiros de G7 sobre as vantagens da imigração legal como meio para reduzir o número das perigosas travessias em barcos precários, mas a sugestão foi descartada pelos americanos e os britânicos. AV/afp,ap,rtr,dpa

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