Opinião: Hamburgo se prepara para "show de Trump"

Bernd Riegert

Mensagem de cúpula do G20 deve ser "Trump contra o resto do mundo", deixando em segundo plano temas como clima e migração. Ninguém precisa de imagens violentas de protestos para completar, opina Bernd Riegert.Os extremistas de esquerda entre os manifestantes contrários à cúpula do G20 que se inicia nesta sexta-feira (07/07), em Hamburgo, clamam pela revolução mundial e o fim do sistema capitalista. Eles não alcançarão nem um nem outro nesta cúpula. Também os protestos contra a globalização, em si, fazem praticamente tanto sentido quanto protestos contra o correr do tempo. Enquanto permanecerem pacíficos, os manifestantes que sigam os seus rituais, como vistos em todos os encontros de cúpula em Estados democraticamente constituídos. Mas os protestos programados não passam de carnaval político. Fariam mais sentido manifestações concretas, por exemplo, contra as violações dos direitos humanos na China, Rússia, Turquia ou Arábia Saudita. Caberiam protestos contra a política comercial e o tosco neonacionalismo do presidente Donald Trump. Comícios e "resistência" contra o sistema político liberal da Alemanha, que é quem permite as reuniões e manifestação, contudo, devem ser sumariamente rechaçados. Violência não é admissível como recurso de confrontação política. É bom que a polícia pretenda adotar tolerância zero nesse ponto. Não se pode dar espaço ao bando do black bloc, que, semelhante a hooligans do futebol, simplesmente quer se atracar com o poder estatal. Sem dúvida, muito foi exagerado na antecipação da cúpula do G20. Instila-se o pânico dos dois lados. Certo está que a liberdade de reunião será respeitada para os opositores do G20. O que não haverá é o direito básico a acampamento e outras patacoadas de ativista nos parques de Hamburgo. Em caso de dúvida, basta dar uma olhada nas determinações legais pertinentes. Carecem de razão os críticos que atacam o fato de uma conferência de política mundial como esta se realizar numa metrópole, na qual, ainda por cima, radicais e extremistas de esquerda aparentemente dominam bairros inteiros. A liberdade de reunião também vale para os representantes dos 19 países do grupo e a União Europeia. É claro que eles devem poder se encontrar e deliberar, mesmo que provavelmente sem muitos resultados concretos. O gigantesco aparato policial é necessário para proteger os participantes da cúpula, mas, acima de tudo, para manter os manifestantes em trajetos ordenados. Quanto mais protestos são anunciados, maiores as exigências de segurança; quanto mais forças policiais, maiores são os protestos: os dois lados se exacerbam reciprocamente. Ainda assim, deve ser possível um encontro de cúpula em plena cidade, em plena Alemanha. A escapada para lugarejos como Heiligendamm (2007) ou Elmau (2014), como sede de cúpulas, foi igualmente criticada nos últimos anos. Afirmou-se que os poderosos haviam se isolado, e que os ativistas não teriam sido devidamente escutados. Aí, logo vem a questão, se tais cúpulas são sequer necessárias. A resposta é "sim". Os mais importantes chefes de governo do mundo devem poder conversar entre si. Silêncio gera mal-entendidos, conhecer-se pessoalmente torna supérfluos numerosos documentos e análises. Em Hamburgo, o inexperiente Trump se encontrará pela primeira vez com o experiente presidente russo, Vladimir Putin. Esse é, de longe, o acontecimento mais importante da conferência. Se esses dois não se entenderam, as consequências para a Europa e resto do mundo só poderão ser negativas. Além disso, o mundo precisa ficar sabendo qual a posição do brutal presidente americano quanto ao comércio mundial e a crise da Coreia do Norte. Na cúpula do G7, no fim de maio, na Itália, ele já dominou com sua política abstrusa, e Hamburgo será um verdadeiro "show de Trump". Ficarão em segundo plano os temas próprios ao G20, que foi criado para lidar com crises financeiras e avançar o desenvolvimento econômico. Clima, comércio, migração? A mensagem de Hamburgo provavelmente será: Trump contra o resto do mundo. Isso já é triste o suficiente. Ninguém precisa de imagens de manifestações violentas para completar. Um pequeno consolo: a próxima cúpula do G20 na Alemanha provavelmente só se realizará em 2037.

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