Minoria rohingya é vítima de falta de consenso na ONU

No Conselho de Segurança, EUA, França e Reino Unido pedem ações decisivas para pôr fim à violência contra minoria muçulmana, e China e Rússia apoiam governo de Myanmar. Guterres denuncia "pesadelo humanitário" no país.Uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira (28/09) evidenciou divisões em relação à atual crise em Myanmar. Enquanto países ocidentais como os Estados Unidos, França e Reino Unido exigem o fim da violência contra a minoria rohingya, China e Rússia declararam apoio ao governo do país no sudeste asiático.



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O número de pessoas da minoria muçulmana que fugiu para o país vizinho Bangladesh desde o início da onda de violência no estado de Rakhine, no dia 25 de agosto, já passa de 500 mil.



O secretário-geral da ONU, António Guterres, exigiu que as autoridades locais em Myanmar interrompam imediatamente as operações militares, além de exigir o "acesso à ajuda humanitária sem entraves". Ele pede ainda garantias de segurança para que os rohingya possam retornar aos seus locais de origem.



Guterres destacou que a situação dos rohingya, que segundo a Comissão para os Direitos Humanos da ONU aparenta ser um "caso clássico de limpeza étnica", se tornou um "um pesadelo humanitário".



O secretário-geral citou relatos de testemunhas que denunciam "aplicação excessiva da violência e graves violações dos direitos humanos", como execuções, utilização de minas terrestres, além de diversos casos de estupro. Guterres ressaltou que essas práticas são inaceitáveis e devem cessar imediatamente.



Aos Estados Unidos, a França e o Reino Unido se juntaram outros países-membros do Conselho de Segurança ao exigirem o fim imediato da violência e uma resposta decisiva do Conselho de Segurança da ONU.



A embaixadora americana Nikki Haley pediu aos demais países que suspendam o envio de armamentos a Myanmar até que os membros das Forças Armadas birmanesas sejam responsabilizados pelos "ataques brutais" contra a minoria rohingya.



Entretanto, uma ação decisiva do Conselho parece improvável, uma vez que China e Rússia saíram em defesa do governo de Myanmar. O vice-embaixador chinês na ONU, Wu Haitao, pediu paciência aos demais países e afirmou que muitas das diferenças e do antagonismo em Rakhine já vêm de longa data, e que "não há solução fácil".



Ele assegurou que a situação no país já está se tornando mais estável e que "todas as partes envolvidas devem trabalhar construtivamente para fortalecer essa tendência" e "aliviar as condições humanitárias".



O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, alertou que "pressão excessiva" sobre o governo birmanês "poderá apenas agravar a situação no país e na região".



Guterres, ressaltou que a crise humanitária é terreno fértil para a radicalização e para a ação de criminosos e traficantes de pessoas. Ele alertou que a crise gerou "múltiplas implicações para os países vizinhos e para a região", além do risco de conflitos entre as comunidades locais.



O conflito



Os rohingya são uma minoria étnica muçulmana, predominantemente alocada no estado de Rakhine, no oeste de Myanmar. Seus membros não são reconhecidos pelo governo como cidadãos birmaneses: do ponto de vista oficial, são apátridas, ilegais imigrados de Bangladesh durante o domínio colonial britânico. Há décadas a maioria budista do país é acusada de submetê-los a discriminação e violência.



A mais recente onda de perseguição, iniciada no dia 25 de agosto, surgiu após insurgentes rohingya atacarem postos de segurança no norte de Rakhine, matando 12 agentes. O governo em Naypyidaw imediatamente iniciou "operações de neutralização" contra os insurgentes, as quais – segundo refugiados da região – visam toda a população rohingya, indiscriminadamente.



RC/lusa/ap

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