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Estudantes protestam contra armas nos EUA

20/04/2018 19h16

Marchas reúnem alunos de mais de 2,5 mil escolas em todo o país. Protesto marca 19º aniversário do massacre de Columbine, que deixou 13 mortos e chocou os Estados Unidos no final da década de 1990.Alunos de mais de 2.500 instituições de ensino nos Estados Unidos saíram das salas de aula nesta sexta-feira (20/04) para cobrar das autoridades um maior controle na venda de armas. O protesto marcou o dia do 19º aniversário do massacre de Columbine, no qual 13 pessoas morreram num tiroteio dentro de uma escola no Colorado.

A mobilização estudantil lembrou os mortos em Columbine e também outras dezenas de vítimas de massacres em escolas desde esse atentado, que foi praticado por dois alunos em 1999. O ataque em Columbine chocou os Estados Unidos, mas desde então tiroteios em escolas se tornaram comuns no país.

Leia também: O novo rosto do movimento antiarmas nos EUA

Com apoio das autoridades escolares e a ajuda de 200 organizações nacionais e celebridades, milhares de estudantes deixaram as salas de aula às 10h (horário local) para participar dos protestos. Segundo os organizadores, 2,7 mil escolas participaram do ato.

Em frente à Casa Branca, em Washington, centenas de manifestantes silenciaram enquanto eram lidos os nomes de vítimas da violência armada. Os estudantes permaneceram em silêncio durante 13 segundos em memória às vítimas de Columbine e depois se sentaram no chão durante 19 minutos, um para cada ano desde o massacre.

Em algumas cidades, os alunos ficaram no chão por 17 minutos, pelo número de mortos no último grande massacre, ocorrido em 14 de fevereiro no colégio Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida.

Nos protestos, muitos estudantes levaram cartazes com mensagens como "Basta", "Não atirem", além de imagens de vítimas dos massacres escolares. Muitos vestiam laranja, a cor que representa o movimento contra a violência armada.

"Hoje é sobre ser proativo, empoderado e usar toda nossa energia e raiva que temos como jovens em uma mudança produtiva", afirmou Lane Murdoch, de 16 anos, uma das organizadoras da marcha, que surgiu com um pedido no site Change.org. A estudante vive a 32 quilômetros da escola Sandy Hook, em Connecticut, onde 20 crianças e seis adultos foram assassinados em 2012.

Pressão política

Outra iniciativa do protesto desta sexta-feira foi pedir aos jovens que se inscrevam para votar nas próximas eleições, de modo a pressionar os políticos.

Em Denver, estudantes das escolas públicas locais fizeram uma passeata até o Capitólio estadual, onde entregaram folhetos aos legisladores com uma mensagem clara: "Se os políticos covardes não fazem nada, os jovens os mostrarão ao votarem contra eles em novembro, como consequência por deixarem que tantos americanos morram".

Para evitar incidentes, algumas escolas suspenderam as aulas e outras aumentaram a presença de seguranças. Outras advertiram que os estudantes seriam sancionados por abandonarem as aulas sem a autorização.

Em resposta a essa ameaça, atores como Robert DeNiro e Julianne Moore publicaram modelos de "Cartas de Ausência" na internet para que os estudantes pudessem explicar aos professores os motivos das manifestações, como homenagear as vítimas, educar a comunidade e exercer os direitos de participação cívica.

Movimento nacional

Essa foi a segunda vez que estudantes interromperam as aulas para sair às ruas do país contra a violência armada desde o massacre de fevereiro em Parkland. A primeira marcha ocorreu em 14 de março, na data que marcou um mês do tiroteio na Flórida, e reuniu dezenas de milhares de alunos.

O massacre na Flórida impulsionou a criação de um movimento nacional estudantil que exige um maior controle na venda de armas. Os Estados Unidos têm mais de 30 mil mortes relacionadas a armas anualmente.

Os sobreviventes do recente massacre organizaram ainda um protesto que reuniu centenas de milhares de americanos em 24 de março em várias cidades. Os atos foram a maior manifestação antiarmas nos EUA dos últimos anos e um dos maiores protestos capitaneados por jovens desde a Guerra do Vietnã.

CN/efe/rtr/ap

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