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Exame de sangue pode detectar Alzheimer 16 anos antes dos primeiros sintomas

Exame de sangue - kukhunthod/IStock
Exame de sangue Imagem: kukhunthod/IStock

22/01/2019 17h47

Pesquisadores alemães e americanos desenvolveram um exame de sangue capaz de detectar a doença de Alzheimer até 16 anos anos antes de os primeiros sintomas aparecerem, entre eles a perda de memória. O teste identifica determinadas proteínas que são produzidas quando as células nervosas morrem. 

"O fato de ainda não haver um tratamento eficaz para o Alzheimer se deve em parte a as terapias atuais começarem tarde demais", afirmou Mathias Jucker, do Centro Alemão para Doenças Neurodegenerativas (DZNE), um dos principais autores do estudo publicado nesta segunda-feira (21) na revista científica Nature Medicine.

Segundo Jucker, geralmente as proteínas geradas com a morte das células nervosas se decompõem rapidamente no sangue. Os pesquisadores, porém, descobriram um neurofilamento extremamente resistente, que se acumula no sangue de pacientes muito antes dos primeiros sintomas da doença.

Jucker e sua equipe, ao lado de cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington em San Luis, investigaram se os altos níveis deste neurofilamento no sangue se refletiam em danos neurológicos. Para isso, analisaram dados e amostras de mais de 400 integrantes de uma rede que pesquisa famílias onde há casos de Alzheimer.

Os pesquisadores analisaram como a concentração dessa proteína específica se desenvolvia no sangue, descobrindo que 16 anos antes do aparecimento dos sintomas já é possível detectar mudanças significativas. De acordo com Jucker, foi possível prever a perda de massa cerebral e mudanças cognitivas que ocorreriam anos depois.

Os altos níveis do neurofilamento no sangue podem também indicar outras doenças ou lesões neurológicas. Assim, os cientistas concluíram que o resultado do estudo pode, no futuro, ser usado para identificar danos cerebrais em pacientes com outras doenças neurodegenerativas.

Por enquanto o teste ainda não pode ser usado. Para sua liberação, os pesquisadores precisam agora determinar qual concentração do neurofilamento no sangue pode ser considerada alta, e a partir de que momento seu aumento é um motivo de preocupação.

Ainda sem cura, a doença de Alzheimer é causada pela morte de células cerebrais, prejudicando funções como memória, linguagem e orientação.