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Por que a saúde do papa é alvo de tanta especulação?

05/07/2022 14h03

Por que a saúde do papa é alvo de tanta especulação? - Há um ano Francisco sofreu uma cirurgia no cólon. Agora ele cancelou viagens, e desde maio está de cadeira de rodas. O próprio pontífice respondeu às especulações de que renunciaria em agosto.Após se encontrar com o papa Francisco em 1º de julho no Vaticano, o bispo de Augsburg, Bertram Meier, disse não achar que o chefe da Igreja Católica, de 85 anos, estivesse "cansado do trabalho". "Ele está muito forte, tanto física quanto mentalmente", e andando de bengala, em vez de cadeira de rodas. No entanto há algum tempo especula-se sobre o verdadeiro estado de saúde do sumo pontífice.

Em 4 de julho de 2021, os jornalistas locais ficaram chocados ao saber que Francisco havia subitamente se submetido a uma operação do cólon. Ele rezara da janela do Palácio Apostólico com milhares de católicos na Praça de São Pedro, como é costume todos os domingos. Horas depois, por meio de um tuíte, o diretor da assessoria de imprensa do Vaticano, Matteo Bruni, informou que a cirurgia fora realizada e que o papa havia reagido bem.

Após 11 dias, Francisco retornou ao Vaticano. Mas só quase dois meses depois ele deixou claro que a cirurgia no intestino aparentemente foi mais séria do que se pensava inicialmente. "Um enfermeiro salvou minha vida", revelou a uma emissora espanhola.

Um dos papas mais idosos

Há dois meses, o mundo vê o papa de cadeira de rodas, supostamente devido a desconforto persistente no joelho. Segundo ele explicou, os médicos o proibiram de caminhar ou ficar de pé por muito tempo.

Desde que assumiu o cargo, Francisco, que é um dos dez papas mais idosos da história da Igreja Católica, é conhecido por suas aparições inusitadas. Em grandes conferências do Vaticano, era frequentemente visto caminhando para o local do evento, de maleta na mão. Mas, ao longo dos anos, sua maneira de caminhar mudou. Algo que também faz parte da idade, mas agora, com as fotos em cadeira de rodas, voltou-se a falar do seu estado de saúde.

Francisco planejava viajar ao Líbano em junho, mas devido ao joelho a visita foi adiada. Ele também tinha pendente uma visita ao Sudão do Sul e ao Congo, na primeira semana de julho. Há anos ele quer fazer essa viagem junto com o chefe da Igreja Anglicana, afim de visitar os mais pobres da África.

O quente verão romano agora será mais tranquilo para o papa. Em julho, como de costume, não há grandes audiências gerais para os fiéis. As aparições públicas de Francisco são cada vez mais raras. No entanto, na sexta-feira ele se encontrou não apenas com o bispo Meier de Augsburg, mas também com o empresário Elon Musk. "É uma honra ter conhecido o pontífice ontem", tuitou um dos homens mais ricos do mundo, que esteve no Vaticano com seus quatro filhos.



Dias antes, Francisco não pôde participar de uma reunião há muito planejada com membros do Comitê Judaico Internacional para consultas inter-religiosas, sob a alegação de dores agudas. Já para o fim de julho o Vaticano mantém os planos de viagem do papa ao Canadá. Um voo transatlântico, com quatro decolagens e pousos, para se encontrar com indígenas que sofreram em instituições eclesiásticas.

Saída em 2023?

Em poucos meses, Francisco estará no cargo por mais tempo do que seu antecessor, Bento 16. Em 27 de agosto, uma data incomum, ele admitirá 20 novos clérigos ao chamado Colégio dos Cardeais; 16 dos novos cardeais ainda não completaram 80 anos, portanto, no caso de um conclave, poderão ajudar a escolher o sucessor de Francisco. Em 29 e 30 de agosto, convocou todos os cardeais do mundo ao Vaticano para consultas. O tema, como de praxe, é a reforma da Cúria.

Em março de 2023, o Sumo Pontífice celebrará dez anos de mandato. E, apesar de o Vaticano ter rejeitado uma possível renúncia, há algum tempo especula-se que Francisco poderia anunciar no fim de agosto que deixará o cargo em 2023.

Porém o próprio Francisco negou todos esses boatos nesta segunda-feira (04/07): "Isso nunca passou pela minha cabeça", disse à agência de notícias Reuters. E acrescentou: "No momento, não, no momento, não. Realmente."
Autor: Christoph Strack