Mulheres lançam campanha por orgulho da menstruação após proibição de templo

Nova Délhi, 23 nov (EFE).- As demonstrações de indignação na Índia se multiplicaram após a informação de que autoridades de um templo hindu afirmarem que não permitirão que as mulheres entrem ali até que seja inventado um detector de menstruação, já que a visão tradicional da religião as considera "impuras" durante o período menstrual.

"Chegará um dia no qual inventarão uma máquina para escanear se é 'o momento adequado' (sem menstruação) para que uma mulher entre no templo. Só então falaremos sobre permitir sua entrada", disse a autoridade do templo Prayar Gopalakrishnan.

Gopalakrishnan, presidente do Escritório de Propriedades Divinas do templo de Sabrimala, no estado de Kerala, se referiu à máquina de menstruação durante uma entrevista coletiva na semana passada.

Suas palavras repercutiram mais após o lançamento, sábado, da campanha "Feliz por sangrar", â qual se somaram várias mulheres de todo o país, que pedem o fim do "patriarcado e do tabu" sobre o período menstrual.

"A campanha 'Feliz por sangrar' foi lançada contra os tabus menstruais e o sexismo. Ela reconhece a menstruação como uma atividade natural que não precisa ser escondida", afirmaram as ativistas no Facebook.

Outras mulheres, a maioria jovens, aderiram à campanha, e têm rebatido nessa e em outras redes sociais comentários "misóginos e arcaicos", além de reivindicarem a "naturalidade" da menstruação com fotos de suas compressas, algumas com mensagens.

"Meus ovários, meu sangue, meu problema. Eu decido quando e aonde ir, não um sacerdote", dizia um dos comentários no Twitter. "Ninguém tem direito de chamar meu período de impuro", afirmava outro.

Na Índia, as mulheres sofrem durante o período menstrual com limitações como a proibição de manipular alimentos, de cozinhar, e a obrigação de dormir em um quarto ou em camas separadas de seu parceiro ou de seus parentes.

Só 1,6% delas levam uma vida normal durante esses dias, segundo dados de do Conselho de Provisão de Água e Saneamento Colaborativo (WSSCC), vinculado à ONU.

Na Índia, 335 milhões de meninas e mulheres menstruam todos os meses, mas só 12% têm acesso a absorventes ou compressas, e 200 milhões não recebem informação adequada de higiene durante essa época.

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