Ataques xenófobos aumentam tensão em Colônia após assédios do Ano Novo

Berlim, 11 jan (EFE).- Uma série de ataques xenófobos, coordenados através das redes sociais como "resposta" às agressões sexuais ocorridas no Ano Novo, aumentaram ainda mais a tensão nesta segunda-feira na cidade de Colônia, no oeste da Alemanha, onde as autoridades alertaram que não tolerarão justiceiros.

Dois paquistaneses e um sírio ficaram feridos nesses incidentes, provocados por pessoas que disseram nas redes sociais que as ações tinham o objetivo expresso de "atacar pessoas não alemãs", informou hoje o porta-voz da polícia de Colônia, Nobert Wagner.

De acordo com as investigações, os agressores queriam "fazer justiça com as próprias mãos" em resposta aos fatos ocorridos na estação central ferroviária de Colônia, onde várias mulheres foram assediadas no Ano Novo. Até agora, foram apresentadas 516 denúncias às autoridades, 237 delas por crimes sexuais.

Segundo a imprensa alemã, grupos de "hooligans" foram responsáveis pela "caça aos estrangeiros" pelas ruas de Colônia.

O ministro da Justiça da Alemanha, Heiko Mass, alertou hoje sobre as tentativas de neonazistas e outros grupos de extrema-direita de instrumentalizar o fato de várias centenas de homens, muitos deles estrangeiros, terem tentado assediar sexualmente muitas mulheres.

Maas indicou que uma onda de insultos contra refugiados na internet faz pensar que há pessoas que esperavam apenas um incidente como o de Colônia para libertar seu ódio racial. "De outro modo não se explica de maneira descarada como alguns grupos instrumentalizaram o ocorrido", explicou.

O porta-voz do governo da Alemanha, Steffen Seibert, disse hoje que, embora seja necessário esclarecer o que de fato ocorreu em Colônia, é preciso pensar também na grande maioria de refugiados que buscam refúgio na Alemanha e que se comportam pacificamente.

"Temos que propor medidas para proteger a população alemã, mas também a grande maioria dos refugiados", indicou Seibert.

O ministro regional do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestfália, Ralf Jäger, acusou a polícia de Colônia de "graves erros" diante dos ataques e agressões sexuais que classificou de "intoleráveis".

Jäger confirmou que, de acordo com os depoimentos até agora, os ações do Ano Novo foram cometidas majoritariamente por estrangeiros, principalmente procedentes do norte da África e de países árabes. Até agora foram abertas investigações contra 19 estrangeiros, entre eles 10 solicitantes de asilo, de um total de 32 suspeitos, incluindo alguns alemães.

Segundo Jäger, os responsáveis pela polícia de Colônia não pediram reforços apesar da grave situação na central ferroviária e do alerta geral em todo país diante do temor por atentados terroristas. Além disso, o ministro regional do Interior criticou o comunicado divulgado no dia seguinte, quando a polícia de Colônia descreveu a noite anterior como "tranquila" e destacou a "boa atuação" dos agentes para conter a tensão.

Os incidentes da noite de Ano Novo em Colônia custaram o cargo do chefe da polícia local, Wolfgang Albers, que renunciou ao posto na última sexta-feira.

O ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, defendeu hoje o endurecimento da legislação vigente para os refugiados após as múltiplas agressões sexuais e roubos cometidos em Colônia, além de ressaltar a necessidade de identificar e punir os agressores.

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