Aliados reiteram inocência de falecido ex-presidente salvadorenho

San Salvador, 31 jan (EFE).- Jorge Velado, presidente da Aliança Republicana Nacionalista (Arena), principal partido de oposição em El Salvador, disse neste domingo que sempre acreditou na inocência do ex-presidente Francisco Flores, seu correligionário, que morreu na noite de ontem após passar seis dias em coma no hospital.

Flores era acusado de peculato, enriquecimento ilícito e desobediência por supostamente ter se apropriado de US$ 5 milhões doados pelo governo de Taiwan após dois terremotos no país. Ele também teria desviado outros US$ 10 milhões para uma conta da Arena.

O dinheiro deveria ter sido usado para financiar programas de reconstrução e atender as vítimas das tragédias que assolaram o país em janeiro e fevereiro de 2001.

Velado afirmou, durante uma entrevista transmitida pelas emissoras locais, que as denúncias contra Flores eram uma situação "extremamente difícil" para o partido, mas destacou que nunca abandonou o ex-presidente porque "acreditava na sua inocência".

"Em um momento se disse que esse dinheiro tinha um certo destino, mas ninguém pôde comprovar isso. Não existe um documento assinado ou um convênio de ajuda entre o governo de Taiwan e de El Salvador, que é tradicional e obrigatório nesses casos", disse Velado.

Outros aliados do ex-presidente afirmaram que a denúncia, feita por duas organizações sociais, foi obra do "comunismo internacional" e provocaram a morte de Flores.

O deputado Ernesto Muyshondt, também da Arena, reprovou a "aptidão das pessoas que causaram tudo isso e que passaram os dois últimos anos acossando a família". "Com a morte de Flores, o país perde um grande presidente", disse o aliado.

O também deputado e ex-candidato à presidência do país pela Arena, Norman Quijano, lamentou que Flores não teve tempo de provar sua inocência. "Ele foi vítima de uma ignomínia nunca vista em nosso país, mas a enfrentou com grande dignidade", destacou o político na saída do hospital onde o ex-líder estava internado.

A morte de Flores ocorreu por volta das 22h de sábado (horário local, 2h do domingo em Brasília) pouco menos de uma semana depois de sofrer uma obstrução arterial em sua casa, onde estava em prisão domiciliar por causa das acusações criminais.

O ex-presidente esperava um julgamento que foi adiado pelo Juizado de San Salvador, no dia 7 de janeiro, estando pendente de uma nova data até que se resolvesse o sistema de declaração das testemunhas que vivem no exterior.

O advogado de Edgar Morales Joia afirmou em declaração à Efe que, com a morte de Flores, o processo penal ficaria "definitivamente suspenso", para dar passagem a um "processo civil que teria que ser determinado" pelo juizado correspondente, em caso de existir.

Francisco Flores, que governou El Salvador entre 1999 e 2004, foi o primeiro ex-presidente na história democrática do país a ser processado criminalmente por corrupção.

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