Cameron diz que deixar a UE daria uma falsa "ilusão de soberania"

Em Londres

  • Jeff Overs/ BBC/ EPA/ EFE

    O primeiro-ministro britânico David Cameron (dir.) concede entrevista ao jornalista Andrew Marr durante o programa "Andrew Marr Show", da BBC, em Londres, Reino Unido

    O primeiro-ministro britânico David Cameron (dir.) concede entrevista ao jornalista Andrew Marr durante o programa "Andrew Marr Show", da BBC, em Londres, Reino Unido

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, afirmou neste domingo (21) que sair da União Europeia (UE) daria ao Reino Unido uma falsa "ilusão de soberania", e na prática lhe diminuiria poder e peso no mundo.

"Não teríamos a capacidade de ajudar as nossas empresas e assegurar-nos que não são discriminadas frente ao euro. Também não poderíamos pressionar os países europeus para que compartilhem informação de fronteiras e saibamos o que os terroristas e criminosos estão fazendo na Europa", disse Cameron em entrevista à rede de TV "BBC".

Após convocar ontem um referendo sobre a saída ou permanência no grupo - marcado para 23 de junho -, o primeiro-ministro do Reino Unido defendeu que o acordo conseguido na sexta-feira em Bruxelas permite a Londres ficar "com o melhor dos dois mundos".

"Estaremos no mercado único, teremos cooperação política para manter a nosso povo seguro, mas estaremos fora dos projetos que não gostamos, fora do euro, fora do acordo para que não haja fronteiras", explicou.

Questionado pela possibilidade de o Reino Unido abandonar a UE e iniciar depois um acordo comercial com a Europa, o ele sustentou que esse cenário levaria a "sete anos de incerteza, potencialmente".

"Seria irônico sair da União, negociar nosso retorno ao mercado comum e deixarmos de ter a capacidade de implementar as restrições nas ajudas sociais (aos cidadãos) que eu negociei. Se ficamos em uma Europa reformada, sabemos o que nos vamos encontrar. Sabemos como fazer negócios nela, como criar emprego e como continuar com nossa recuperação econômica", afirmou.

Cameron sustentou que a continuidade do Reino Unido na UE tem também vantagens para o bloco.

"A União perderia um de seus maiores jogadores, o país que mais argumenta a favor do livre comércio", defendeu.

Perguntado sobre se quereria ser recordado como o primeiro-ministro que abocou ao Reino Unido a saída da União Europeia, ele afirmou que há três anos colocou sobre a mesa "intenções muito claras".

"Disse que haveria uma negociação e depois um referendo. Estamos cumprindo esses compromissos. O acordo está assinado e agora vou cumprir a promessa de uma consulta. Os cidadãos deste país tomarão uma decisão soberana. Dirão a seu primeiro-ministro o que deve fazer. Eu seguirei essas instruções, sejam elas quais forem, porque esse é meu trabalho", afirmou.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos