Rubio pede apoio para conter o "vigarista" Trump na disputa republicana

Cristina García Casado.

Washington, 26 fev (EFE).- O pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, Marco Rubio, pediu nesta sexta-feira aos republicanos que cerrem fileiras em torno dele para frear o magnata Donald Trump, um "vigarista" que está prestes a "sequestrar" o partido e o movimento conservador.

"Se me indicarem, terão um verdadeiro conservador que nos una e nos faça crescer depois deste circo que vivemos por nove meses. (...) Temos muitos danos a reparar", disse Rubio em um enérgico comício em Dallas (Texas), onde se apresentou como a única alternativa a Trump.

"Se você é republicano e não quer que um vigarista domine seu partido, una-se a nós, para que possamos pôr fim a esta loucura", foi a mensagem que Rubio repetiu hoje nesse comício, em várias entrevistas e nos e-mails de sua campanha.

Rubio confirmou assim o que já se anunciava no combativo debate republicano de ontem à noite: passou ao ataque contra Trump às vésperas da Super Terça e com o tempo apertando para conseguir sua primeira vitória no processo de primárias.

"Alguém apertou ontem à noite o botão de pânico?", lhe perguntou hoje uma jornalista da emissora "CBS". Rubio evitou responder, mas o certo é que precisa conseguir uma vitória para escorar sua proposta de única alternativa para conter Trump.

As pesquisas não são nada favoráveis para o jovem senador da Flórida. Não lhe dão nenhuma vitória nos 12 estados e um território que votam na próxima terça-feira, conhecida como Super Terça, e inclusive algumas pesquisas recentes apontam que Trump ganharia em seu estado, a Flórida, no também decisivo dia 15 de março.

O senador de origem cubana, na câmara alta desde 2011, tirou hoje um novo às da manga contra Trump, ao perguntar aos meios de comunicação por que não investigam as histórias de supostas fraudes do magnata e por que não lhe perguntam pelo conteúdo de suas propostas como aos demais candidatos.

"Não podemos permitir que Trump seja o indicado, porque no momento em que for, os meios de comunicação vão despedaçá-lo. Não podemos nomear alguém a quem vão despedaçar porque as consequências são ou o socialista Bernie Sanders ou alguém que mentiu ao país como Hillary Clinton", argumentou Rubio.

A tese do senador é que a imprensa, a qual os republicanos acusam de favorecer majoritariamente os democratas, querem que Trump seja o indicado por considerar que "seria fácil vencê-lo" em eleições gerais.

"Ontem no debate vimos que não tem respostas aos assuntos-chave e hoje os meios de comunicação seguem dizendo que é uma força imparável. Se qualquer outro candidato tivesse seu histórico, a imprensa não pararia de informar sobre isso", criticou Rubio na "CBS".

A pergunta que todos fizeram hoje a Rubio era inevitável: por que demorou nove debates e nove meses de campanha para tentar descontruir Donald Trump.

"Primeiro, agora somos menos candidatos. E eu sei que sou um azarão, enquanto Trump lidera. Preferia não ter de brigar com outros republicanos, mas prefiro muito mais não ceder o Partido Republicano a um vigarista", justificou Rubio à "CBS".

A maior esperança de Rubio é que o partido chegue à convenção de julho em Cleveland (Ohio) sem um indicado, um cenário que considera "possível", apesar das matemática das pesquisas apontarem que Trump ganhará com folga na grande maioria dos estados que votarão na próxima quinzena.

Rubio tem pela frente quatro intensos dias até a Super Terça, nos quais fará quatro comícios na Virgínia, o estado no qual parece ter apostado, com a esperança de atrair o voto das áreas urbanas e dos subúrbios vizinhos de Washington, frente ao apoio rural e sulista de Trump.

O jovem senador viajará também a Arkansas, Tennessee, Geórgia, Oklahoma e Alabama.

As pesquisas apontam que onde poderia conseguir mais delegados é em áreas urbanas e suburbanas de Tennessee, Massachusetts, Minnesota, Geórgia e Tennessee.

Resta ver agora o impacto em votos de sua nova estratégia que, por enquanto, já conseguiu o aplauso da imprensa e uma generosa cobertura midiática.

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