Procurador argentino quer reabrir caso Nisman para investigar irregularidades

Buenos Aires, 28 mar (EFE).- O procurador-geral da Câmara do Crime da Argentina, Ricardo Sáenz, afirmou nesta segunda-feira considerar inevitável abrir uma ação sobre as possíveis irregularidades cometidas na investigação da morte do promotor Alberto Nisman.

"Acredito que vamos terminar tendo um processo paralelo sobre as irregularidades da investigação da morte de Nisman", disse Sáenz à rádio "El Mundo".

Para ele, "o que foi feito com a cena do crime e tudo o que se fez posteriormente para desviar a investigação e torná-la mais complexa pode ser alvo de uma ação paralela".

"Vamos todos depor, todos que tivemos algo a ver com esta investigação", acrescentou.

Em 25 de fevereiro o procurador emitiu uma sentença que concluiu que Nisman, achado morto em janeiro de 2015, dias após denunciar a então presidente Cristina Kirchner de acobertamento de terroristas, foi vítima de homicídio.

Para Sáenz, se forem confirmadas "tecnicamente" algumas das irregularidades cometidas na cena do crime, poderia se tratar de um caso de acobertamento.

O procurador destacou os "complicados telefonemas" do chefe da polícia da província de Buenos Aires, assim como de alguns agentes, às 5 da manhã de 18 de janeiro de 2015, dia em que encontraram Nisman em seu apartamento com um tiro na cabeça.

"O bom senso de muitos argentinos e dos que o conheciam disse desde o primeiro momento que o tinham matado", insistiu Sáenz, antes de denunciar o trabalho que o governo de Cristina Kirchner fez para desprestigiá-lo.

Ele acredita que "está cada vez mais claro ter se tratado de um homicídio, e parece que estão diminuindo os que pensam que foi um suicídio".

"Para mim, em meu íntimo, desde o primeiro dia pensei que não era um suicídio e, depois as provas demonstraram isso", insistiu.

Semana passada, a Câmara Nacional do Crime da Argentina determinou que o processo que investiga a morte do promotor tramite em foro federal, com competência em todo o país.

Segundo Sáenz, é o caso por envolver, na opinião dos querelantes e dele mesmo, "o trabalho (de Nisman) e após ter denunciado a ex-presidente da Nação".

"Não quer dizer que a investigação será melhor, mas não há outra alternativa legal", argumentou.

Nisman, que era o promotor do processo sobre o atentado contra a associação judaica Amia (que deixou 85 mortos em 1994), morreu em 18 de janeiro de 2015 em circunstâncias que ainda não foram esclarecidas.

Mais de um ano após sua morte, a investigação não determinou se foi um suicídio ou um homicídio.

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