FBI informou Holanda sobre irmãos El Bakraoui uma semana antes de atentados

(Acrescenta reação da Bélgica).

Bruxelas, 29 mar (EFE).- O FBI (a polícia federal americana) informou a polícia da Holanda, seis dias antes do duplo atentado em Bruxelas, dos antecedentes penais e extremistas dos irmãos Ibrahim e Khalid El Bakraoui, os terroristas suicidas que explodiram bombas no aeroporto e no metrô da capital da Bélgica em 22 de março, informou nesta terça-feira a agência holandesa "ANP".

Em carta na qual responde a 166 perguntas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, o ministro da Justiça da Holanda, Ard van der Steur, afirmou que o FBI informou à sua polícia em 16 de março, e um dia depois foram estabelecidos "contatos entre os serviços policiais da Holanda e da Bélgica".

O FBI informou a Holanda do "histórico penal" de Ibrahim, um dos dois terroristas que se suicidaram no aeroporto internacional de Zaventem, e dos "antecedentes radicais e terroristas" de Khalid.

A Polícia Judiciária belga, no entanto, negou hoje ter recebido "qualquer informação" dos serviços de inteligência americanos sobre os irmãos El Bakraoui, nem 16 de março, nem no dia seguinte em uma visita de trabalho de um membro da polícia holandesa.

O diretor-geral da Polícia Judiciária federal da Bélgica, Claude Fontaine, disse que nessa visita foram abordadas "certas informações" sobre a operação antiterrorista no distrito de Forest, em Bruxelas, em 15 de março, quando Mohammed Belkaïd, um argelino de 35 anos ligado ao atentado de 13 de novembro em Paris, foi abatido .

"Durante essa discussão não se mencionou nenhuma informação que a polícia holandesa teria obtido através do FBI, como disse a Holanda.

Ibrahim e Khalid El Bakraoui faziam parte de uma lista dos serviços de inteligência americanos, que os classificaram de "ameaça potencial", informou na semana passada a emissora "NBC".

Em sua resposta aos deputados holandeses, Van der Steur afirmou que quer pedir aos americanos que compartilhem melhor a informação sobre suas listas negras e de vigilância, publicou a "ANP".

A Holanda quer poder consultar livremente a lista dos EUA sobre combatentes estrangeiros da Síria, já havia afirmado o ministro da Justiça holandês semana passada.

O governo do primeiro-ministro, Mark Rutte, tem que se explicar hoje no parlamento holandês pelo caso de Ibrahim El Bakraoui, assim como o primeiro-ministro belga fará na câmara em Bruxelas, depois de a Turquia ter avisado os dois países da detenção e da entrega dele à Holanda em 14 de julho.

Holanda e Bélgica argumentaram que a Turquia não os comunicou a tempo dos motivos da expulsão de Ibrahim após ser detido na fronteira turco-síria, o que a Turquia rebateu, garantindo ter informado que era um combatente estrangeiro.

Ibrahim não estava registrado pelas autoridades holandesas, nem em nenhuma lista internacional, por isso pôde atravessar da Holanda à Bélgica sem ser detectado, disse Van der Steur.

O ministro de Interior belga, Jan Jambon, acusou na semana passada a polícia da embaixada belga em Istambul de ter sido negligente com a informação turca.

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