Hollande e Merkel pedem mais união na Europa, 100 anos após Batalha de Verdun

Javier Albisu.

Paris, 29 mai (EFE).- O presidente da França, François Hollande, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defenderam neste domingo o espírito reconciliador do projeto europeu durante os atos do centenário da Batalha de Verdun, a mais longa da Primeira Guerra Mundial e que deixou mais de 300 mil soldados mortos de ambos os países.

Os dois líderes proporcionaram uma solene imagem de união em homenagem de várias horas em um emblemático lugar, em meio a um período de incertezas na União Europeia, como o referendo britânico sobre a continuidade do Reino Unido no bloco, a crise dos refugiados e as dificuldades econômicas da zona do euro.

"Não somos mais separados por trincheiras. pensar unicamente em termos nacionais, nacionalistas, nos faz retroceder", afirmou a chanceler.

Assim como fizeram o então presidente francês, François Mitterrand, e o chanceler alemão da época, Helmut Kohl, no mesmo lugar com o histórico e comemorativo aperto de mãos em 1984, Hollande e Merkel transformaram Verdun hoje em um "símbolo da reconciliação franco-alemã", após duas guerras mundiais no século XX.

"Nosso dever sagrado está escrito no solo arrasado de Verdun. Amemos nossa pátria, mas protejamos nossa casa em comum perante as forças da divisão, do fechamento e do recuo", proclamou o presidente francês.

Verdun, acrescentou Hollande, é "uma cidade que representa ao mesmo tempo o pior, quando a Europa se perdeu há cem anos, e também o melhor, quando o povo é capaz de se esforçar, de se unir pela paz e pela amizade franco-alemã".

O chefe do Estado francês também apelou ao espírito da solidariedade europeia na crise dos milhares de refugiados que tentam chegar ao continente após saírem de países como Síria, Eritreia e Iraque.

"França e Alemanha têm a obrigação de ajudar as pessoas que fogem de massacres", destacou Hollande em discurso ao lado da chanceler, que ocorre dois dias após a também histórica visita do presidente americano, Barack Obama, a Hiroshima, cidade japonesa onde explodiu a primeira bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial.

O Palacio do Eliseu informou à imprensa que no almoço privado entre ambos, Hollande e Merkel abordaram assuntos como a luta contra a organização terrorista do Estado Islâmico (EI) e a atualidade europeia.

Exatamente 50 anos depois da visita a Verdun do presidente francês Charles de Gaulle, prisioneiro alemão durante a Primeira Guerra Mundial e símbolo da resistência francesa aos nazistas na Segunda, os atuais líderes de França e Alemanha iniciaram o dia no cemitério alemão de Consenvoye.

Em seguida, Hollande e Merkel assinaram o Livro da Paz do Museu Municipal de Verdun, deixaram uma coroa de flores e inauguraram a renovação do monumento da cidade na presença dos presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Parlamento Europeu, Martin Schulz.

Entre os dias 21 de fevereiro e 19 de dezembro de 1916, Verdun, localizada entre as cidades francesas de Metz e Reims, viveu 300 dias de batalha que deixaram mais de 300 mil soldados mortos entre ambos os lados e 450 mil feridos ou desaparecidos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos