Maduro diz que relatório de Almagro está "cheio de ódio"

Caracas, 31 mai (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assegurou que o relatório no qual o secretário-geral da OEA Luis Almagro pede para que seja acionada a Carta Democrática contra seu país, está "cheio de ódio", e ressaltou que o diplomata uruguaio ficou "desqualificado aos olhos da América" com este documento.

"A carta Almagro é uma carta cheia de subjetividade", disse o governante venezuelano ao se referir ao relatório do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em seu programa de rádio e televisão "Em contato com Maduro".

O chefe de Estado venezuelano considerou que o relatório divulgado hoje por Almagro é "um desatino, uma desproporção".

Maduro também acusou Almagro de ter "perdido o equilíbrio" e de ter "entrado (em) uma fase militante, desnaturalizando seu cargo de secretário-geral" da organização internacional.

Além disso, o presidente venezuelano reiterou a acusação que antes fez a Almagro de que o mesmo está entregue "às mãos do Departamento de Estado" dos Estados Unidos.

Maduro também garantiu que esta decisão busca romper o "equilíbrio" entre a esquerda e a direita na América do Sul, e intervir na Venezuela após o "golpe" que, segundo ele, foi dado contra a presidente afastada do Brasil, Dilma Rousseff.

"Hoje na América Latina, o equilíbrio de convivência que tínhamos entre os governos de direita e de esquerda está se rompendo e querem impor à Venezuela uma Carta Democrática para intervirem em nosso país de forma política, diplomática, econômica e militar", insistiu.

Em um relatório, Almagro acionou hoje a Carta Democrática contra a Venezuela, o que pode levar a sua suspensão do país sul-americano da OEA, por considerar que há uma "alteração da ordem constitucional que afeta gravemente a ordem democrática".

O líder venezuelano advertiu que, com esta decisão, "querem romper o equilíbrio" na União de Nações Sul-americanas (Unasul), e formulou um pedido de "sensatez, respeito, equilíbrio, de convivência de modelos, capitalistas, socialistas, moderados, radicais, de convivência política".

"Não pensem que apostando na conjuntura curta, encorajados pelo golpe no Brasil, que vão poder com a Venezuela", ressaltou Maduro, após qualificar Almagro de "traidor da causa da América Latina".

O chefe de Estado venezuelano adiantou que seu país "não vai se entregar e os movimentos sociais, populares, revolucionários, juvenis do continente vão defendê-lo" nas ruas.

Maduro denunciou que, com esta decisão, estão tentando aplicar à Venezuela "um novo plano Condor", em alusão à estratégia desenvolvida entre as décadas de 1970 e 1980 pelas ditaduras de Chile, Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com o apoio dos EUA, para perseguir políticos e militantes de esquerda.

"A Venezuela vai lutar. Oligarcas olhem nos meus olhos: a Venezuela vai lutar, temos direito a defender a paz em nosso país, temos direito a defender a soberania, a independência desta pátria venezuelana e da pátria grande, e não vamos deixar que nos removam o direito à paz, à independência", concluiu Maduro.

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