Ministro argentino diz que crise do Brasil irá provocar queda do PIB do país

Madri, 31 mai (EFE).- A atual crise vivida pelo Brasil, com um governo interino e uma desaceleração econômica, vai provocar uma queda de 1,5 ponto percentual no crescimento da Argentina neste ano, afirmou nesta terça-feira o ministro da Fazenda e de Finanças Públicas do país, Alfonso Prat-Gay.

"O Brasil pode determinar se nós crescemos ou caímos", disse Prat-Gay, durante sua participação em um evento organizado pela Agência Efe e a Casa da América em Madrid, ao lado do ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos.

No cargo desde dezembro do ano passado, Prat-Gay declarou que no mundo atual, "muito incerto", é necessário muito diálogo. "A Argentina quer fazer parte do diálogo, não do problema, como até agora", disse em alusão ao anterior governo de Cristina Kirchner.

O ministro argentino apresentou as possibilidades que seu país oferece para investidores espanhóis e repetiu a incumbência dada pelo presidente Mauricio Macri antes dele viajar para a Espanha: "avisar que se apressem para investir na Argentina", disse.

"Se tiver investimento e criação de emprego, serão bem-vindos", declarou Prat-Gay.

O ministro ofereceu como garantia a nova política de seu governo, no poder desde o final do ano passado, disposto a assumir seus compromissos internacionais e a saldar as dívidas contraídas.

"Para termos credibilidade precisamos cumprir com nossas dívidas e com as sentenças", afirmou, em referência ao acordo entre o governo argentino e seus credores que aconteceu em Nova York.

Ele também falou da tarefa de seu governo para combater a inflação e reduzir o déficit, ao mesmo tempo em que procura melhorar a situação das camadas mais vulneráveis da sociedade.

Prat-Gay insistiu que o objetivo é chegar em 2019 com uma inflação de 5%, contra 25% prevista para este ano, assim como descer o déficit um ponto do PIB, em um momento no qual a economia não está crescendo.

Presidente do Banco Central da Argentina entre 2002 e 2004, Prat-Gay defendeu a independência "de fato" da instituição e insistiu que as metas de inflação são definidas pelo governo e executadas pelo Banco Central.

"Nós gostaríamos de baixar os impostos no futuro", antecipou, mas "não enquanto a economia não cresça fortemente", especificou.

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