Governo e Farc assinam acordos para fim do conflito na Colômbia

Havana, 23 jun (EFE).- O governo da Colômbia e as Farc assinaram nesta sexta-feira em Havana o pacto para preparar o fim do conflito na Colômbia, que inclui a cessação de fogo bilateral e definitiva, o abandono de armas, garantias de segurança e mecanismos para referendar os acordos de paz.

Após ser assinado pelos negociadores do governo, da guerrilha e dos representantes dos países fiadores e acompanhantes, o presidente de Cuba, Raúl Castro, entregou o documento ao colega colombiano Juan Manuel Santos e ao líder das Farc, Timochenko, que apertaram as mãos sob o aplauso dos presentes.

Sobre o cessar-fogo bilateral, ambas as partes decidiram elaborar um roteiro que contenha os compromissos mútuos para que em um prazo máximo de 180 dias a partir do acordo final de paz tenha terminado o processo de abandono das armas, segundo o comunicado conjunto lido no ato em Havana.

O abandono das armas por parte da guerrilha será realizado a partir do acordo final em três fases: 30% em um prazo de 90 dias a partir do acordo, outros 30% 120 dias após a assinatura da paz, e os 40% restantes depois de 180 dias.

Esse procedimento será monitorado e verificado por uma equipe internacional coordenada pelas Nações Unidas, organismo que "receberá a totalidade do armamento das Farc para destiná-lo à construção de três monumentos" estipulados entre o governo colombiano e a guerrilha.

Para o cumprimento do desarmamento, da cessação do fogo e da migração das Farc à vida civil serão criadas 22 "zonas transitórias de normalização" e oito acampamentos para a concentração dos guerrilheiros, zonas que serão territoriais, temporárias e transitórias.

O documento também estabelece que a saída dos combatentes das Farc de seus atuais acampamentos será realizado "sem armas". O texto assinado hoje é decisivo para o fim de cinco décadas de conflito e representa a preparação para o acordo final de paz entre as partes.

O governo colombiano e as Farc assinaram o pacto em uma cerimônia de alto nível em Havana com a presença de seis presidentes latino-americanos e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, entre outros convidados.

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