Chanceler argentina diz que "Brexit" não reabre negociações sobre Malvinas

Buenos Aires, 24 jun (EFE).- A chanceler da Argentina, Susana Malcorra, afirmou nesta sexta-feira que a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia não reabre automaticamente as negociações com o país sobre a soberania das ilhas Malvinas e pediu que os apoiadores da causa esperem para ver como o tema vai se desenvolver no país europeu.

"Não estamos em processo de negociação com o Reino Unido. Não aconteceu nada neste sentido", esclareceu Malcorra em entrevista coletiva realizada em Buenos Aires, na qual avaliou os resultados do referendo realizado ontem e as eventuais consequências da decisão britânica para as relações bilaterais.

Segundo Malcorra, além do curso que os acontecimentos vão tomar, a Argentina tem que trabalhar na "reconstrução da confiança mútua", um requisito que considerou como um requisito para depois se sentar com o Reino Unido em uma mesa de negociação pela recuperação da soberania do território, agora sob domínio britânico.

Ontem, a ministra argentina defendeu no comitê de descolonização das Nações Unidas que o objetivo de recuperar as soberania das ilhas Malvinas é "irrenunciável" para seu país e considerou que este assunto "é histórico e central".

No entanto, Malcorra se mostrou cautelosa em falar sobre as possíveis repercussões que o resultado do referendo pode ter para as Malvinas e se negou a especular, já que, conforme reiterou, é "cedo demais para falar" a respeito.

"É preciso ser muito prudente. O tema Malvinas tem uma longa história para ambos os países. Estamos em uma posição de querer avançar em esquemas de negociação e diálogo", reiterou a chanceler.

"Este não é um tema que vamos resolver entre nós mesmos e os moradores das ilhas. Acreditamos que é um tema de soberania, mas isto não descarta que os cidadãos se expressem e, depois disto (o referendo), com mais força", argumentou.

Embora tenha considerado que economicamente a saída do Reino Unido da União Europeia possa afetar a economia das ilhas, que tem 70% de sua economia ligada à administração britânica, Malcorra apontou que o impacto não será "de um dia para outro".

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