Casa Branca evita, por enquanto, acusar Rússia por vazamento de e-mails

Washington, 25 jul (EFE).- A Casa Branca evitou neste domingo atribuir à Rússia responsabilidades pelo vazamento de quase 20 mil e-mails do Comitê Nacional do Partido Democrata (DNC), apesar de a campanha da candidata à presidência pela legenda, Hillary Clinton, ter acusado o país pelo ataque cibernético que gerou essa divulgação.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, não quis fazer comentários sobre o responsável pelo vazamento, já que o FBI abriu sua própria investigação sobre o assunto.

"Sabemos que há vários atores, tanto estatais como criminais, que buscam pontos vulneráveis na segurança cibernética dos Estados Unidos, e isso inclui a Rússia", disse Earnest em sua entrevista coletiva diária.

No entanto, o porta-voz não quis avaliar os relatórios que apontam que o governo de Vladimir Putin esteve por trás do vazamento e se limitou a afirmar que o FBI investigará o assunto "cuidadosamente".

Além disso, ele declarou que é possível que o FBI não divulgue as conclusões de sua investigação, pois antes de fazê-lo terá que determinar se isso é "benéfico" para os interesses dos Estados Unidos.

Earnest reconheceu que "algumas entidades do setor privado" tiraram conclusões sobre o vazamento, mas que o governo prefere realizar sua própria investigação e que, por enquanto, não houve contatos oficiais entre EUA e Rússia sobre o assunto.

O chefe de campanha de Hillary, Robby Mook, afirmou ontem que tinha recebido informação de analistas apontando que "atores estatais russos invadiram o sistema do DNC e levaram todos esses e-mails", para depois os divulgarem através do Wikileaks.

Mook opinou hoje que o objetivo dos piratas russos era ajudar o candidato do Partido Republicano, Donald Trump, e lembrou que o vazamento aconteceu pouco depois de este partido mudar seu programa político "para torná-lo mais pró-Rússia".

"Não acredito que seja uma coincidência que estes e-mails saíssem à luz às vésperas de nossa convenção (democrata na Filadélfia) e acho isso preocupante", declarou hoje Mook à rede de TV "CNN".

A campanha de Trump criticou esses argumentos e negou qualquer envolvimento no vazamento, que aconteceu na sexta-feira, quando o Wikileaks disse ter em seu poder 19.252 e-mails do DNC.

Em várias dessas correspondências, funcionários do alto escalão do partido falam de estratégias para vencer Bernie Sanders, que enfrentou Hillary nas primárias pela candidatura presidencial democrata.

O escândalo provocou a renúncia da líder do comitê nacional do Partido Democrata, Debbie Wasserman Schultz, que anunciou no domingo que deixaria o cargo depois da convenção do partido e hoje indicou que sequer fará um discurso no evento.

O porta-voz da Casa Branca também não quis criticar hoje as ações da cúpula do partido ou de Wasserman Schultz, nomeada para o cargo por Barack Obama e a quem o presidente expressou seu apreço e agradecimento em comunicado no domingo.

"Não vou entrar no conteúdo dos e-mails", disse Earnest. "Há muita gente na Filadélfia que pode falar do estado de nosso partido e os esforços para ter sucesso nas eleições, e deixarei que sejam eles que o façam", finalizou.

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