Detenções e ameaças marcam véspera de grande passeata opositora em Caracas

Caracas, 30 ago (EFE).- As detenções de dirigentes políticos e as ameaças governistas perante supostos planos golpistas marcaram esta terça-feira na Venezuela, às vésperas da passeata convocada pela oposição para exigir a realização do referendo para revogar o mandato do presidente Nicolás Maduro.

O partido opositor Vontade Popular (VP), liderado pelo dirigente preso Leopoldo López, foi acusado hoje pelo governo de Maduro de tramar um plano de golpe de Estado que se desenvolveria durante a manifestação de quinta-feira.

Com o argumento de um plano de golpe, Maduro justificou a detenção de dirigentes do VP e outros opositores, que, segundo garantiu, tinham em seu poder explosivo C4 e uniformes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) para cometer crimes contra os próprios opositores e culpar o Estado.

O presidente venezuelano também assegurou que Leopoldo López, preso desde fevereiro de 2014 e condenado a quase 14 anos de prisão, "é um agente da CIA, treinado em Harvard durante 10 anos".

Nesta segunda-feira foi detido o dirigente Yon Goicoechea, do VP; horas antes se soube da ordem de apreensão contra o prefeito opositor da cidade de Maturín, Warner Jiménez, também do VP; e hoje também foi detido o dirigente do partido opositor Avanzada Progresista, Carlos Melo.

Do VP também é o ex-prefeito opositor preso Daniel Ceballos, que teve revogada na sexta-feira passada sua prisão domiciliar e foi transferido a um presídio de segurança máxima sob a alegação, por parte do governo, que queria fugir.

Maduro advertiu nesta terça-feira que "todo aquele que coma luz vai ir preso, seja quem for, assim anuncio aos atores do fascismo, do golpismo e da violência política".

As advertências e acusações de Maduro foram feitas depois que centenas de chavistas fizeram uma marcha para demonstrar "unidade" entre os partidários da revolução bolivariana e apoiar o presidente no centro de Caracas.

A mobilização convocada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) congregou seus partidários para "tomar as ruas" do país frente ao plano de suposto golpe de Estado contra Maduro.

O secretário-executivo da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, afirmou nesta terça-feira que nenhuma ação do governo contra os partidos que formam a coalizão deterá a manifestação porque contam com um "povo formoso, valente e corajoso".

O dirigente opositor acrescentou que a chamada "Tomada de Caracas" será "a maior mobilização política de nossa história recente".

A bancada opositora, que controla o parlamento, aprovou hoje um acordo no qual rejeita a "perseguição" política que, segundo assegura, o governo de Maduro empreendeu contra vários dirigentes opositores e cidadãos comuns.

"A perseguição foi brutal em particular contra membros do partido Vontade Popular, membro da Mesa da Unidade Democrática (MUD)", disse a deputada opositora Delsa Solórzano ao apresentar o acordo.

Solórzano nomeou uma dezena de dirigentes do VP que, segundo disse, recentemente foram alvo de ameaças, retenções, revistas e detenções.

A Conferência Episcopal da Venezuela (CEV) também se pronunciou hoje e pediu que seja garantida a segurança dos manifestantes.

"Trata-se do exercício de um legítimo direito estabelecido na Constituição e no ordenamento jurídico da Venezuela. Por isso, ditas mobilizações, concentrações e atividades de caráter político têm que ser respeitadas e amparadas pelos organismos do Estado", destacou o episcopado em comunicado.

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