Ainda sem governo definido, Espanha vê guerra aberta entre socialistas

Fernando Pajares.

Madri, 28 set (EFE).- Considerado chave para a formação de um novo governo na Espanha, o socialista PSOE vive uma guerra aberta iniciada nesta quarta-feira depois que quase a metade dos membros de sua comissão executiva renunciou para forçar a queda do secretário-geral, Pedro Sánchez.

Fundado em 1879, o partido governou a Espanha em 21 dos quase 40 anos que se passaram desde que o país retomou a democracia.

Embora a crise interna seja antiga, o clímax aconteceu durante a manhã de hoje quando foram divulgadas fortes declarações do ex-presidente do governo Felipe González (1982-1996) contra o atual líder do PSOE, Pedro Sánchez.

González declarou hoje que se sente "enganado" por Sánchez, garantindo que ele lhe disse em junho que o PSOE se absteria na segunda votação de posse de Mariano Rajoy para facilitar a formação de um governo liderado pelo Partido Popular (PP), de centro-direita.

Para ganhar tempo e tentar se manter à frente do PSOE, Sánchez anunciou a convocação de eleições primárias para 23 de outubro e um congresso federal para o começo de dezembro.

Sua polêmica iniciativa pode levar a uma terceira eleição geral na Espanha, um fenômeno sem precedentes que os líderes políticos espanhóis, incluindo o próprio Sánchez, se comprometeram a evitar em seu último debate transmitido pela televisão, no dia 26 de junho.

No entanto, o atual secretário-geral do PSOE reiterou que fará o possível para impedir que Mariano Rajoy, presidente interino do governo, consiga apoio parlamentar suficiente para ser efetivado no cargo.

As críticas de González ("Me sinto frustrado; é como se tivesse me enganado") provocaram uma grande agitação no PSOE. Na própria comissão executiva dirigida por Sánchez e que responde ao órgão de direção do partido - o chamado comitê federal - surgiram dirigentes dispostos a renunciar.

Conhecedor desta possível manobra, Sánchez os desafiou: "Se não se sentem parte deste projeto, que não esperem para ser a metade mais um; eu, em seu lugar, renunciaria hoje mesmo".

Sua voz foi escutada. À tarde pediram renúncia 17 membros da comissão executiva - inclusive vários "caciques" -, que poderiam ser suficientes para forçar a saída do secretário-geral.

A (talvez última) aposta de Sánchez é tentar o apoio do terceiro e do quarto maiores partidos do país - o esquerdista Podemos e o liberal Ciudadanos - para ele mesmo chegar ao poder.

Esta possibilidade tem, no entanto, muito poucas possibilidades de prosperar, já que o líder do Ciudadanos, Albert Rivera, não quer nem ouvir falar de uma aliança com o Podemos.

Complica mais esta situação o fato de que a soma de cadeiras do PSOE e do Podemos no Congresso não seria suficiente para conseguir a maioria absoluta para a formação do governo sem o apoio dos partidos nacionalistas ou separatistas, e Sánchez não conta com o apoio da direção de seu partido para abrir uma negociação com eles.

Muito dividida, a direção do PSOE deve se reunir neste sábado em Madri com o objetivo de analisar os resultados das eleições regionais realizadas no domingo - desastrosos para os socialistas na Galícia e no País Basco - e decidir o que fazer no que se refere ao governo do país.

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