De comandante em chefe a "soldado das ideias": os últimos anos de Fidel

Havana, 26 nov (EFE).- Afastado do poder desde 2006 - oficialmente desde 2008 -, Fidel Castro passou seus últimos anos entre a convalescença por sua doença, esporádicas aparições, momentos difíceis pela morte de amigos como Hugo Chávez e Gabriel García Márquez e históricos eventos como o "degelo" nas relações entre Cuba e Estados Unidos.

A grave doença intestinal que o próprio Fidel Castro declarou segredo de Estado e que chegou a deixá-lo entre a vida e a morte transformou o comandante em chefe da revolução cubana em um "soldado das ideias" que trocou seu lendário uniforme verde-oliva pelas roupas esportivas com as quais foi visto nos últimos anos.

Após delegar as rédeas do país a seu irmão Raúl, Fidel se manteve completamente afastado da vida pública durante quatro anos, nos quais não faltaram constantes especulações sobre seu estado de saúde.

Para surpresa de muitos, Fidel começou a reaparecer em 2010 em alguns eventos públicos, uma espécie de "ressurreição" na qual empreendeu uma particular "cruzada" sobre perigos para o planeta, como uma eventual guerra nuclear e a mudança climática.

Muito significativa foi sua presença, em abril de 2011, no encerramento do VI Congresso do Partido Comunista de Cuba, onde seu irmão Raúl o substituiu como primeiro-secretário à frente da organização, completando a transferência de poderes iniciada cinco anos antes.

Além de ser testemunha excepcional de sua própria sucessão, Fidel Castro assistiu, de sua aposentadoria, às reformas para "atualizar" o socialismo cubano, um processo que abriu timidamente as portas à iniciativa privada e que acabou com históricas proibições que ele sustentou durante mais de meio século, como viagens ao exterior ou a compra e venda de imóveis ou carros entre particulares.

Fidel também sofreu nos últimos tempos com a morte de grandes amigos, especialmente a do presidente venezuelano Hugo Chávez, o principal parceiro da ilha no século XXI, que aconteceu em 5 de março de 2013, aos 58 anos após uma longa batalha contra o câncer.

"O melhor amigo que o povo cubano teve ao longo de sua história", definiu Fidel sobre Chávez em artigo após sua morte.

Fidel também viu a partida de um dos líderes internacionais mais carismáticos do século XX, a do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, com quem teve uma relação de amizade e admiração mútua, e que ocorreu em dezembro de 2013.

E nada fácil foi para ele a perda, em abril de 2014, de Gabriel García Márquez, o universal escritor colombiano que esteve ligado ao ex-presidente cubano por uma amizade que durou décadas.

Fidel foi ainda testemunha de um dos principais eventos na história da revolução cubana: o restabelecimento de relações entre Cuba e Estados Unidos, o "império" ao qual, por décadas, dedicou suas mais ferozes críticas.

A reaproximação com Washington tornou-se oficial em 17 de dezembro de 2014, com pronunciamentos dos presidentes de Cuba, Raúl Castro, e dos EUA, Barack Obama.

A doença obrigou o líder da Revolução Cubana a abrir mão de seus longos discursos em público, mas ele encontrou um caminho para expressar suas opiniões nas "Reflexões", uma série de artigos na imprensa.

No entanto, sua aposentadoria não minguou o interesse internacional pela figura de Fidel: suas aparições, a frequência de seus artigos ou as fotos com personalidades às quais recebia em sua casa em Havana serviram durante anos para mostrar manter o "comandante-em-chefe" em cena, como para alimentar rumores sobre sua morte.

Nas imagens divulgadas nos últimos anos, era possível ver um Fidel de aspecto frágil, quase sempre sentado, com voz fraca e muito mais magro do que em suas épocas de esplendor.

Durante seu longo mandato, a saúde de Fidel Castro foi um dos segredos mais bem guardados de Cuba.

Em seus melhores tempos, Fidel, amante dos esportes desde a infância, burlou frequentes rumores que circulavam sobre vários tipos de problemas físicos e inclusive sobre sua morte.

Sobre a doença que o obrigou a delegar o poder, nada foi explicado oficialmente, mas a tese mais difundida é a de que ele sofreu uma diverticulite derivada em peritonite após três operações fracassadas.

sam/id

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