Cada vez mais iluminada, Tóquio se entrega ao clima natalino

Marta O. Craviotto.

Tóquio, 20 dez (EFE).- Festejar o Natal não é algo comum no Japão, majoritariamente xintoísta e budista, mas o país vem a cada ano se adaptando à festividade cristã, com iluminações espetaculares, jantares românticos e frango frito.

Desde o início de novembro, Tóquio brilha com uma explosão de luz e cores: milhões de lâmpadas decoram de maneira exuberante as ruas e cobrem cada cantinho da capital.

"Nos últimos anos, as luzes de Natal são uma loucura, incrível. Gosto muito", diz Tanaka, de 40 anos, enquanto admira o luxuoso espetáculo de luz do centro comercial de Midtown.

Uma esfera de luz gigante de seis metros de diâmetro - que ora se transforma em globo terrestre, ora simula um estranho planeta -, é o centro deste complexo urbano futurista, onde mais de 180 mil lâmpadas achem um interminável manto de luz de dois mil metros quadrados.

Em outros bairros do centro de Tóquio, o número de luzes dispara: as árvores e edifícios de Marunouchi se vestem com um milhão de LEDs; Roppongi apela para seu lado mais romântico e decora árvores com 1,2 milhão de lâmpadas vermelhas.

Os japoneses trabalham normalmente nos dias 24 e 25 de dezembro, algo que, no entanto, não impede os casais de sair para jantar na noite de Natal.

"O Natal é para passar em casal, jantar com a namorada ou a esposa", explica à Agência Efe Miyamoto, de 49 anos.

Nestas datas, o casal substitui a família e o peru dá lugar ao frango frito, em um país onde os cristãos representam apenas 1,5% da população.

"Ninguém se importa com o Natal. É quando nasceu Jesus Cristo, verdade?", diz Hiroki, de 23 anos.

"Quando era criança, o Papai Noel me trazia presentes, e ainda me emociono quando lembro. Agora, ao invés disso, fico com minha namorada e meus amigos, portanto ainda é emocionante", continua Hiroki.

A cada vez mais grandiosa adaptação às festas natalinas chega em parte por uma maior proximidade do Japão com os países ocidentais.

"Estamos nos tornando cada vez mais ocidentais, e acho a imprensa teve um papel importante neste sentido", afirma Hiroki.

Embora não chegue ao nível de celebrações como São Valentim ou Halloween, o "Japão é um mercado natalino enorme. Acredita-se que o negócio de tortas de Natal, por exemplo, movimente 40 trilhões de ienes" (R$ 1,141 trilhão) por ano, explica Junko Kimura, professora de marketing na Universidade Hosei de Tóquio.

A criação - em 1974 - da tradição de consumir frango frito na noite do dia 24 de dezembro rende à rede de fast-food americana KFC quase 110 bilhões de ienes (R$ 3,14 bilhões) em apenas cinco dias (21-25 de dezembro), um terço de suas vendas anuais.

No entanto, o Japão abandona o tema natalino num piscar de olhos. No dia 26, as luzes desaparecem e as decorações se concentram na verdadeira celebração japonesa de dezembro: o fim de ano, que se vive de maneira especial no país asiático.

Milhões de pessoas vão aos templos para dar as boas-vindas a um ano que esperam que seja cheio de saúde e prosperidade.

Assim que o relógio marca meia-noite de 1º de janeiro, os sinos dos templos budistas ressoam 108 badaladas para simbolizar os 108 pecados humanos que existem segundo o budismo, que os japoneses devem evitar no próximo ano.

A primeira visita ao templo xintoísta no Ano Novo Japonês, a "hatsumode", é realizada durante os primeiros dias do ano para fazer pedidos, queimar antigos amuletos e compram outros novos.

Durante quatro dias - de 31 de dezembro a 3 de janeiro -, cerca de três milhões de pessoas vão ao santuário de Meiji Jingu, o mais visitado de Tóquio.

Com o desejo de boa sorte e saúde para o ano que chega, badaladas, orações e amuletos encerram dezembro no Japão.

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