Parlamento de Gâmbia põe fim ao estado de emergência no país

Dacar, 24 jan (EFE).- O parlamento de Gâmbia encerrou nesta terça-feira o estado de emergência decretado há uma semana pelo então presidente do país Yahya Jammeh, de acordo com a imprensa local.

Segundo o portal "Seneweb", os deputados aprovaram uma lei que põe um fim no estado de emergência declarado por Jammeh em 17 de janeiro por um período de três meses, quando faltavam 48 horas para a posse de Adama Barrow, vencedor das eleições presidenciais de dezembro do ano passado.

Essa medida não impediu a posse de Barrow na quinta-feira passada na embaixada de Gâmbia em Dacar, onde ainda está refugiado.

O porta-voz da coalizão liderada por Barrow, Halifa Sallah, disse à Agência Efe que a decisão de decretar o estado de emergência era uma tentativa de impedir a posse do novo presidente.

"O estado de emergência não faz sentido, já que não há distúrbios em Gâmbia, onde a população cumpriu com as palavras de ordem da oposição, que pediu calma e tranquilidade e que não respondessem às provocações", afirmou Sallah.

O ex-presidente Jammeh deixou Banjul no sábado passado com destino à Guiné Equatorial, que o ofereceu asilo, após anunciar um dia antes que entregava o poder após 22 anos à frente de Gâmbia e cedia às pressões diplomáticas e à ameaça de intervenção militar de um bloco de países da África Ocidental.

Barrow segue esperando em seu refúgio, Senegal, e voltará à Gâmbia quando "as forças regionais tiverem criado as condições que garantam sua segurança" como líder, disse o presidente da Comunidade Econômica de Estados de África Ocidental (Cedeao), Marcel Alain De Souza, no fim de semana passado.

Halifa Sallah anunciou nesta terça-feira, em entrevista coletiva em Banjul, que Barrow voltará a Gâmbia entre quarta-feira e quinta-feira.

"Sei a data de retorno de Barrow, mas não estou em condições de comunicá-la aos veículos de imprensa", argumentou.

Barrow nomeou ontem vice-presidente Fatoumata Jallow Tambajan, personalidade destacada da oposição a Jammeh, e a expectativa é que forme governo nos próximos dias, quando voltar ao país.

Desde segunda-feira, milhares de cidadãos que nas últimas semanas tinham fugido para Senegal devido à grave crise política voltaram em massa ao país, em meio a um amplo esquema das forças regionais que cuidavam da segurança para o retorno de Barrow.

Nos últimos dias, militantes de Barrow saíram às ruas para comemorar a derrota de Jammeh e pediram que o ex-mandatário seja julgado pelo Tribunal Penal Internacional.

Jammeh, no poder desde 1994 e derrotado nas eleições do dia 1º de dezembro, rejeitou os resultados do pleito que tinha aceitado anteriormente e se negou a ceder o poder a Barrow.

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