Massacre contra rohingyas em Mianmar pode ser "limpeza étnica", diz ONU

Genebra, 3 fev (EFE).- As atrocidades cometidas pelos agentes de segurança de Mianmar (antiga Birmânia) contra a minoria muçulmana rohingyas e a expulsão forçada de suas casas podem ser consideradas "limpeza étnica", segundo uma pesquisa do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

"O deslocamento forçoso de pessoas de um grupo religioso como consequência de atos de violência cometidos contra eles, como assassinatos, tortura, detenção arbitrária, violação e violência sexual (...) foi descrito em outros contextos como limpeza étnica", afirma um relatório publicado nesta sexta-feira.

O texto, redigido por especialistas em direitos humanos após 200 entrevistas com vítimas rohingyas, acrescenta que as informações recolhidas demonstram que o que ocorre em Mianmar é o resultado de "uma política designada por um grupo étnico ou religioso de remover de uma área específica outros grupos com métodos inspirados no terrorismo".

Os rohinyas são um grupo étnico e religioso específico, de credo muçulmano, que viveu durante gerações no estado birmanês de Rakhine, e que Mianmar não reconhece e acusa de ter emigrado de Bangladesh, o que o governo bengali nega.

Desde outubro do ano passado, as autoridades birmanesas realizam uma intensa e violenta campanha de luta contra supostos terroristas no estado de Rakhine que obrigou pelo menos 80 mil pessoas a deixar suas casas.

O Alto Comissariado enviou a Bangladesh - onde muitos se refugiaram - uma equipe de pesquisadores que, através de entrevistas, puderam elaborar um relatório sobre as atrocidades cometidas em Mianmar contra a comunidade.

Os testemunhos demonstram que durante as operações houve "assassinatos de bebês, crianças, mulheres e idosos; disparos contra os que fugiam; incêndios de vilas inteiras; detenções maciças; violações e violência sexual sistemática; e destruição deliberada de comida, entre outros".

"Isto demonstra a aparente indiferença dos agentes de segurança pela lei internacional de direitos humanos e um total desprezo pela vida dos ronhinyas".

Além disso, ficou constatado que estas pessoas se transformaram em vítimas com base em sua etnia e religião.

Também foi comprovado que estes ataques são "generalizados e sistemáticos" e portanto, como já apontou previamente o próprio alto comissário de Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al-Hussein, poderiam ser considerados "crimes contra a humanidade".

Todas as testemunhas disseram que os agentes de segurança ofenderam sua religião e que muitos prometeram erradicar o islã de Mianmar.

O texto deixa claro que "política de terror" não pode ser vista como algo isolado, mas como a continuação de décadas de discriminação, violações e abusos.

Os testemunhos demonstram que a maioria dos membros da comunidade foram vítimas de múltiplas violações e que nenhuma faixa de idade escapava desses abusos.

Segundo as estimativas, como resultado desta ofensiva governamental, centenas de pessoas morreram, 22 mil se transformaram em deslocados internos e outras 66 mil se refugiaram em Bangladesh. EFE

mh/cs

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