McMaster, o militar intelectual que guiará Trump nas questões de segurança

Washington, 20 fev (EFE).- O tenente-general H.R. McMaster, o novo assessor de Segurança Nacional do presidente Donald Trump, é considerado um dos principais "intelectuais" das forças armadas dos Estados Unidos e conta, além disso, com sólida experiência no terreno no Iraque e no Afeganistão.

McMaster, 54 anos, é autor de um livro já clássico na formação militar dos EUA, "Derelection of Duty" (Descumprimento do Dever), de 1997, no qual criticou de maneira frontal a atuação da Junta do Estado-Maior durante a Guerra do Vietnã por sua incapacidade de explicar ao governo de Lyndon B. Johnson que a estratégia adotada por Washington era equivocada.

Com um doutorado em História pela Universidade da Carolina do Norte e formado na Academia Militar de West Point, McMaster foi um dos responsáveis pela mudança de estratégia no Iraque como assistente do general David Petraeus na hora realizar trabalhos de combate contra a insurgência e estabilizar a situação em um momento de elevada violência entre 2007 e 2008.

Desde 2014 ocupava o cargo de diretor do Centro de Integração de Capacidades do Exército, com sede em Fort Eustis (Virgínia).

Agora McMaster se tornará o primeiro militar na ativa a ocupar o cargo de assessor presidencial de Segurança desde o general Colin Powell no anos 1980 durante o governo de Ronald Reagan.

A nomeação aconteceu de maneira surpreendente na residência de Trump de Mar-a-Lago, na Flórida, na qual McMaster esteve acompanhado pelo também tenente-general Keith Kellogg, que será seu chefe de gabinete.

Sentado ao lado do presidente, McMaster afirmou que sua designação era um "privilégio" e destacou que fará tudo o que estiver "em suas mãos para avançar e proteger os interesses do povo americano".

A seu perfil acadêmico se soma uma avultada experiência militar no terreno, e possui uma Medalha de Prata, a terceira maior condecoração dos EUA, por seu papel durante a batalha de 73 Easting na Primeira Guerra do Golfo no Iraque em 1991.

Ao Iraque voltou em várias ocasiões, e em 2010 ocupou um dos postos de maior categoria das Forças de Assistência de Segurança Internacional (Isaf) em seu quartel-general em Cabul, no Afeganistão, onde liderou uma equipe para combater à corrupção.

Curiosamente, a designação de McMaster foi aplaudida por um dos senadores republicanos mais críticos a Trump, o ex-candidato presidencial John McCain, presidente do Comitê do Senado de Serviços Armados.

"Tive a honra de conhecê-lo há muitos anos, e é um homem de genuíno intelecto, caráter e capacidade. Sabe como ter sucesso. Dou grande crédito ao presidente Trump por esta decisão", afirmou McCain em comunicado.

McMaster preenche assim o vazio deixado pelo general Michael Flynn, que renunciou em uma das primeiras crises do governo Trump após a divulgação de notícias de que tinha realizado reuniões com funcionários russos para tratar as sanções impostas pelos EUA à Rússia.

Trump, que tinha criticado a capacidade dos generais durante a campanha, recorre de novo a um general para ocupar um dos principais cargos de segurança.

McMaster se soma a John Kelly, secretário de Segurança, e a James Mattis, secretário de Defesa, como os militares que fazem parte do círculo mais próximo ao presidente.

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