Novo presidente da Somália jura cargo e promete restaurar a paz no país

Mogadíscio, 22 fev (EFE).- O novo presidente da Somália, Mohammed Abdullahi Farmaajo, jurou nesta quarta-feira o cargo em cerimônia realizada em Mogadíscio, na qual se comprometeu a restaurar a paz no país, sob ameaça constante do grupo terrorista Al Shabab.

"Me transformei no líder de um país que nos últimos 26 anos foi hostil e conflituoso e que tem muitos desafios. Desde aqui prometo que restaurarei a justiça e a paz", disse Abdullahi durante seu primeiro discurso como líder, seguido com grande expectativa por muitos somalis nas ruas de Mogadíscio.

O dirigente falou da necessidade de adotar reformas em nível nacional para lutar contra a corrupção, conseguir boas práticas de governo e melhorar a segurança.

De fato, horas depois do término da cerimônia, três pessoas ficaram feridas em várias explosões registradas na capital, envolvida em um forte dispositivo de segurança devido à ameaça terrorista.

Segundo explicaram à Agência Efe fontes de segurança, foram lançadas três bombas no distrito de Wadajir, embora não tenham deixado vítimas mortais.

Isso aconteceu pouco depois da cerimônia de posse de Abdullahi, à qual assistiram líderes regionais como o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, e o de Djibuti, Ismail Omar Guelleh, além do primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn, entre outros.

"Os quenianos trabalharão com vós para a segurança, a economia e a fraternidade de nossos Estados", afirmou Kenyatta, após felicitar o novo líder somali.

Por sua vez, Desalegn afirmou que a Etiópia seguirá apoiando à missão da União Africana no país (AMISOM) para garantir a segurança e a estabilidade dos laços econômicos com a Somália.

O representante especial da ONU para este país, Michael Keating, destacou a transferência pacífico de poder feita pelos líderes somalis e felicitou à população porque, após a eleição do novo presidente, "a voz dos somalis foi ouvida no mundo todo".

Por motivos de segurança, a posse foi realizada no complexo aeroportuário e fortificado que abriga os trabalhadores das Nações Unidas e outros organismos internacionais em Mogadíscio.

O grupo terrorista Al Shabab, que advertiu que continuará com seus ataques após a designação de Abdullahi, atentou contra o novo governo na quinta-feira, quando duas crianças morreram pelo lançamento de vários bombas nas imediações do palácio presidencial, onde o novo líder estava reunido com seu antecessor.

Além disso, no domingo pelo menos 35 pessoas perderam a vida em um atentado com carro-bomba perpetrado nos arredores de um movimentado mercado de Mogadíscio.

A alta representante para a União Europeia (UE), Federica Mogherini, pediu ontem em uma conversa telefônica ao novo presidente que honre com seus compromissos de luta contra a corrupção, assim como a formação de um governo conciliador pelo bem do progresso da Somália.

Em 8 de fevereiro, Abdullahi, de 54 anos e com duplo nacionalidade somali e americana, obteve 184 apoios na segunda votação dos deputados e senadores que integram o parlamento, quase o dobro que seu maior rival, o até agora chefe de Estado, Hassan Sheikh Mohamud, que admitiu sua derrota e evitou um terceiro turno.

Apesar da evidente falta de representatividade, este pleito parlamentar e a designação do presidente supuseram um grande avanço com relação aos realizados em 2012, nos quais só 135 líderes tribais se encarregaram de formar um parlamento de consenso que desse os primeiros passos da transição democrática.

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