Almagro quer unidade de países do continente para dar ultimato a Maduro

Washington, 24 mar (EFE).- O secretário da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediu nesta sexta-feira unidade dos países do continente americano para dar um ultimato ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, exigindo a convocação de eleições gerais em um mês para não ter seu país suspenso da organização.

"Se a Venezuela não voltar ao caminho democrático em um mês, deve ser suspensa da OEA, como estabelece o Artigo 21 (da Carta Democrática Interamericana)", escreve Almagro em artigo de opinião publicado pelo jornal "The New York Times".

"Não podemos seguir olhando para outro lado. Os países-membros da OEA devem reafirmar seu compromisso com a democracia", acrescenta.

O chamado de Almagro ocorre um dia depois que 14 países do continente americano tenha exigido de Maduro em uma declaração conjunta um calendário eleitoral e a libertação dos "presos políticos".

O documento, que não se sabe ainda se será submetido à votação na OEA, indica que antes da suspensão, que é "o último recurso", devem "ser esgotados os esforços diplomáticos em um prazo razoável".

No entanto, não fala sobre datas, como fez Almagro, e nem sobre antecipar as eleições gerais previstas para 2018, mas pede que seja "estabelecido um calendário eleitoral, que inclua as eleições adiadas".

Em seu artigo de hoje, Almagro indica que o governo venezuelano suspendeu em outubro o referendo revogatório contra Maduro promovido pela oposição e também as eleições regionais de 2016, "anulando os direitos eleitorais de seus cidadãos em uma violação de sua Constituição".

O ex-chanceler uruguaio (2010-2015), que lidera a OEA desde maio de 2015, volta a denunciar no texto que a Venezuela é uma "ditadura" como as que "infestaram" os países latino-americanos e caribenhos através da história.

"Por isso, em 14 de março, pedi eleições justas e livres como maneira de evitar a suspensão da Venezuela da OEA, seguindo o que marca a Carta Democrática Interamericana. E peço aos membros da OEA a que se unam a mim", pede.

Os 14 países da declaração publicada ontem prometem avaliar o relatório de Almagro, no qual pede a aplicação da Carta Democrática para suspender a Venezuela se não forem convocadas eleições em 30 dias, e analisarão "visando acordar o curso de ação que corresponda dentro da organização".

O documento é assinado por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Estados Unidos e Uruguai.

Estes países são do chamado "grupo dos 15", como são conhecidos já nos corredores da OEA, cujo liderança é atribuída ao México e à Belize, país que não se soma nesta ocasião por neutralidade ao ostentar a presidência rotativa do Conselho Permanente, segundo explicaram à Efe fontes diplomáticas.

Estes países querem convocar uma sessão do Conselho Permanente sobre a Venezuela na semana que vem, mas ainda não deram este passo de maneira oficial, e também não decidiram ainda se submeterão ou não a declaração conjunta à votação nesse fórum, segundo as mesmas fontes.

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