Instabilidade na Bulgária deve continuar após eleições gerais

Vladilav Punchev

Sófia, 24 mar (EFE).- A instabilidade política com a qual a Bulgária enfrenta neste domingo suas terceiras eleições gerais em quatro anos ameaça continuar devido à dificuldade para formar um governo de maioria, de acordo com a previsão das pesquisas.

No encerramento da campanha eleitoral hoje, as últimas pesquisas dão ao partido populista conservador GERB, no poder de 2009 a 2013, e depois de 2014 até janeiro passado, 31,7% dos sufrágios, contra os 29,1% do Partido Socialista (BSP).

Se essas projeções se confirmarem, nenhum dos dois partidos terá maioria suficiente no parlamento para formar governo e será preciso buscar apoio de, pelo menos, outras duas formações.

Boiko Borisov, líder do GERB e primeiro-ministro até o final de janeiro, advertiu hoje sobre os riscos da instabilidade em um momento no qual, disse, a Bulgária está rodeada de zonas em conflito.

"Na próxima segunda-feira, a Bulgária tem que estar mais estável do que nunca para não ter o destino dos demais países vizinhos, que enfrentam uma má classificação creditícia e instabilidade política", disse Borisov no comício de fechamento de campanha, realizado em Sófia.

Nesse sentido, Borisov lembrou que a Bulgária está perto de focos de instabilidade como a Crimeia, península ucraniana anexada pela Rússia em 2014, e do Kosovo, que se separou da Sérvia em 2008.

Enquanto isso, a líder do BSP, Kornelya Ninova, insistiu durante a campanha suspender as sanções da União Europeia (UE) contra a Rússia e prometeu melhorar as relações da Bulgária com esse país.

Borisov e Ninova coincidiram em criticar a Turquia e seu presidente, o islamita Recep Tayyip Erdogan, a quem acusam de tentar influenciar nos assuntos da Bulgária, onde há uma importante minoria turca (cerca de 700 mil pessoas).

Ambos concordaram, além disso, em apontar a aliança ultranacionalista Patriotas Unidos como parceira predileta para formar um novo executivo após as eleições.

Simpatizantes desta formação protagonizaram hoje um bloqueio simbólico da fronteira com a Turquia para tentar impedir o que consideram como "turismo eleitoral" por parte de milhares de búlgaros de origem turca, que residem na Turquia.

Pelo menos um ônibus foi parado hoje no ponto fronteiriço de Kapitan Andreevo, ao sudeste do país, segundo indicaram várias testemunhas.

Nos últimos dias, dezenas de ônibus foram parados na fronteira pelos manifestantes e os passageiros tiveram que atravessá-la andando, embora depois puderam continuar viagem no mesmo veículo.

Os Patriotas Unidos, uma coalizão formada no ano passado por três partidos com um forte discurso xenofóbico e antimuçulmano, será, segundo as pesquisas, a terceira força, com cerca de 9%, ligeiramente à frente do PDS, partido que representa a minoria turca.

Perante a esperada dificuldade de formar governo, alguns analistas pedem uma "grande coalizão" entre GERB e BSP, o que ambos rejeitam.

"Me nego categoricamente a me juntar com o GERB", manifestou Ninova ontem à noite em entrevista concedida à televisão privada "bTV".

Os socialista búlgaros encerram nesta noite a campanha com um comício ao ar livre em um parque de Sófia.

O cenário das pesquisas é o de um parlamento com cinco formações e no qual será difícil somar as 121 cadeiras que dão a maioria absoluta.

Segundo a agência Alpha Research, o GERB obteria entre 89 e 91 deputados; os socialistas entre 81 e 83, e Patriotas Unidos e o PDS entre 34 e 35 cada um.

As últimas pesquisas, divulgadas nesta semana, mostram que o que fará a diferença será o voto dos 12% indecisos refletidos nas pesquisas.

A participação eleitoral não deve superar 55%, segundo os analistas.

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