Cirurgião morre em suposto ataque com gás cloro contra hospital na Síria

Susana Samhan

Cairo, 26 mar (EFE).- O cirurgião Ali Darwish se tornou mais uma vítima do conflito da Síria depois de o hospital em que ele trabalhava ter sido alvo de um suposto ataque com gás cloro, revelou neste domingo à Agência Efe um dos médicos que o atenderam.

Seu companheiro de profissional, Abdullah Darwish, trabalhava no centro médico da cidade de Kafr Zita, no norte da província de Hama, no centro do país, quando foi avisado sobre um ataque com gás cloro em Al Latmane, a cerca de cinco quilômetros.

"O bombardeio ocorreu ontem por volta das 15h locais (10h em Brasília). Um helicóptero lançou um barril com gás cloro na entrada do hospital de Al Latmane", disse Abdullah, que também é responsável pela Direção de Saúde de Hama, que opera nas regiões fora do controle do governo de Bashar al Assad na região.

Em Kafr Zita, Abdullah e outros médicos atenderam as vítimas do ataque, entre elas Ali, que não resistiu aos ferimentos enquanto era levado para a fronteira com a Turquia para ser tratado em outro hospital. A causa da morte teria sido a inalação de uma grande quantidade de gás cloro.

Além do médico, outro paciente do Hospital Cirúrgico de Al Latmane morreu após o ataque. O hospital ficava em no subsolo de um edifício, o que facilitou que o gás penetrasse nas instalações.

"O gás permanece nos andares mais baixos. É preciso subir para se proteger dele", explicou Abdullah à Efe.

Na Síria, é habitual que os hospitais sejam construídos nos subsolos dos imóveis para evitar serem alvos de bombardeios, mas essas precauções não adiantaram para proteger os funcionários do Hospital Cirúrgico de Al Latmane.

Quase todos os 32 funcionários que atuam na unidade sentiram sintomas como asfixia.

"Tivemos que tirar as roupas deles, porque estavam impregnadas de gás, e jogá-las para fora do hospital", ressaltou Abdullah.

O médico explicou que o gás cloro tem um cheiro bastante característico e que as pessoas que o inalam apresentam sintomas como náuseas, dificuldade para respirar, têm ardência nos olhos e, em alguns casos, ficam com a boca espumando.

O Hospital Cirúrgico de Al Latmane ficará fora de operação por pelo menos um mês. A Direção de Saúde de Hama divulgou um comunicado acusando o governo pelo bombardeio.

Abdullah afirmou que não é a primeira vez que Kaft Zita e Al Latmane são alvos de ataques com substâncias químicas. "Entre 2014 e 2015 houve uns 12 bombardeios com gás cloro", destacou.

Na semana passada, várias facções rebeldes iniciaram uma ofensiva contra as tropas leais ao governo no norte de Hama.

Os ataques contra hospitais são frequentes no território sírio. Durante 2016, foram registrados 273 bombardeios diretos e indiretos contra unidades médicas na Síria, de acordo com um relatório apresentado ontem em Genebra pela ONG União das Organizações de Socorro e Auxílio Médico.

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