Governo da Etiópia estende estado de emergência por mais 4 meses

Adis-Abeba, 30 mar (EFE).- O governo da Etiópia ampliou o estado de emergência por um período de mais quatro meses após ter declarado o estado de exceção em outubro do ano passado com o propósito de conter a expansão dos protestos nas regiões de Oromia e Amara, informaram nesta quinta-feira veículos de imprensa locais.

O ministro da Defesa etíope, Siraj Fegessa, disse que o objetivo da ampliação é "reforçar a paz e a estabilidade obtida depois que o parlamento declarou o estado de exceção", após sua aprovação por unanimidade ontem na Câmara, onde apenas o partido governante possui representação.

A Etiópia proclamou o estado de emergência no dia 9 de outubro durante um período de seis meses para conter a expansão dos protestos em Oromia e Amara, duas das regiões mais importantes do país, após a morte de dezenas de pessoas e a destruição de várias propriedades.

Sob o estado de exceção, as forças de segurança podem realizar detenções sem ordem judicial e, além disso, os diplomatas que quiseram viajar para fora da capital têm que pedir permissão ao governo.

Durante os últimos seis meses, o governo deteve milhares de pessoas - 15 mil apenas no primeiro mês - suspeitas de participarem dos protestos, muitas das quais foram libertadas após receber alguns meses de "treinamento" em acampamentos militares e prisões isoladas.

Além disso, várias organizações internacionais denunciaram que as autoridades da Etiópia bloquearam o acesso às redes sociais e a sites de notícias de forma "sistemática e ilegal" durante os protestos, nos quais morreram aproximadamente 800 pessoas.

Esta última onda de protestos explodiu em 2 de outubro, quando pelo menos 52 pessoas morreram pisoteadas em uma confusão provocada por uma intervenção policial durante um festival tradicional dos oromo, no qual aconteceram algumas manifestações antigovernamentais.

Os oromo já vinham se manifestando desde novembro de 2015, exigindo mais autonomia, presença nas instituições políticas etíopes e maior redistribuição da riqueza.

O regime autoritário etíope enfrenta um movimento de contestação antigovernamental sem precedentes nos últimos anos, ao qual, além da etnia oromo, se juntaram os amara, o segundo grupo majoritário, que também se considera marginalizado pelo governo de Desalegn.

O regime dos amara, apoiado pelo governo militar anterior e uma estirpe de imperadores, foi substituído pela liderança dos tigray, a etnia minoritária que sustenta o atual partido governante, após a derrocada do ditador comunista Mengistu Haile Mariam em 1991.

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