Temer rechaça possibilidade de perder cargo na Justiça Eleitoral

Brasília, 22 abr (EFE).- O presidente Michel Temer negou em entrevista à Agência Efe que o processo na Justiça Eleitoral contra a chapa pela qual sua antecessora Dilma Rousseff disputou a presidência da República nas eleições de 2014, com ele como candidato a vice, possa chegar a colocar seu cargo em risco.

"Não sei qual será a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ela vai demandar recursos, tanto internamente no tribunal como seguramente para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ou seja, há ainda um longo percurso processual a percorrer. Então, na pior das hipóteses, se houver, digamos assim, a anulação da chapa, a cassação da chapa, haverá recurso", declarou.

Temer assumiu a presidência no ano passado, depois do impeachment de Dilma, depois de uma campanha que pode ter sido financiada em parte com dinheiro gerado pelo esquema de corrupção na Petrobras.

Estas suspeitas estão sendo investigadas pela Justiça Eleitoral em um difícil processo ainda em andamento. Se forem comprovadas irregularidades, haveria a cassação da chapa Dilma-Temer, com uma "segunda destituição" da primeira e o afastamento do poder do atual presidente.

Mas, além de acreditar que os tempos processuais se estendam para além do dia 1º de janeiro de 2019, quando termina seu mandato, Temer disse que "não é improvável" que a causa seja "declarada improcedente", ou que sejam julgadas separadamente suas contas e as de Dilma, como pede sua defesa.

Temer reiterou que a arrecadação de recursos para esta campanha foi feita de forma separada, e que a parte que lhe cabia correspondia a 5% do total da chapa, foi obtida de forma regular e devidamente declarada às autoridades eleitorais e fiscais.

Segundo os valores declarados depois das eleições de 2014, o comitê de campanha de Dilma gastou a soma de R$ 318 milhões.

Para esse total, Temer disse que contribuiu com apenas R$ 20 milhões, que arrecadou por conta própria e de forma completamente legal e regular.

Além de seu próprio caso na Justiça Eleitoral, o presidente falou à Efe sobre a profunda crise política gerada no país pelos sucessivos e graves escândalos de corrupção descobertos pela operação Lava Jato.

O esquema de corrupção está sendo mais evidenciado com as delações premiadas de ex-executivos do grupo Odebrecht, envolvido nestas práticas, que atingem mais de cem políticos, entre eles oito ministros e o atual presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, além de Renan Calheiros, ex-presidente do Senado.

De acordo com Temer, contra seus ministros e muitos dos suspeitos de participar dessas práticas corruptas, há somente até agora suspeitas, que não configuram culpabilidade, mas que devem ser investigadas em profundidade.

Temer desqualificou as afirmações de Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo, de que no Brasil "não existem" políticos que não se envolvam em esquemas de corrupção para financiar suas campanhas.

"É uma opinião da Odebrecht. A Odebrecht é que acha que todos os políticos se serviram do caixa 2. Aliás, ao assim se manifestarem, dizem que eles são os produtores do caixa 2", declarou Temer, que disse conhecer muitos políticos que não utilizam esses métodos, se incluindo entre eles.

Sobre esta questão, o presidente reiterou que os tribunais devem realizar seu trabalho com plena independência e que o país não pode parar por causa da Lava Jato.

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