Em viagem inédita, Trump vive clima "quanto mais longe, melhor" com imprensa

Miriam Burgués.

Taormina (Itália), 27 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fixou metas muito claras em sua primeira viagem internacional: ficar o mais longe possível da imprensa, evitar responder a perguntas incômodas e se ater ao roteiro ao pronunciar um discurso.

O acesso dos jornalistas a Trump e a sua equipe durante toda a viagem, que começou no último final de semana na Arábia Saudita, foi muito limitado e majoritariamente restrito ao pequeno grupo de jornalistas do "pool" da Casa Branca, pouco mais de uma dezena, que viaja com ele no avião presidencial, o Air Force One.

No entanto, mesmo o acesso desse "pool" foi reduzido ao mínimo durante a cúpula de líderes do G7 na cidade siciliana de Taormina da qual Trump está participando.

Na sexta-feira, esse "pool" pôde apenas gravar alguns minutos da cúpula, que acontece em um hotel situado a oito quilômetros de outro hotel onde está instalado o centro de imprensa.

Nas poucas oportunidades em que os jornalistas estiveram perto de Trump, no início ou no final de reuniões durante sua viagem por Arábia Saudita, Israel, Cisjordânia, Vaticano, Bruxelas e Sicília, a resposta mais repetida pelo governante às perguntas foi "obrigado".

Dessa forma, Trump evitou se pronunciar sobre vários assuntos polêmicos, o último deles relacionado com os supostos vazamentos à imprensa por parte de seu governo de detalhes do atentado de segunda-feira em Manchester, o que enfureceu as autoridades britânicas.

Seus poucos comentários espontâneos aos jornalistas se limitaram a elogiar o papa Francisco, a quem chamou de "fantástico", ou a se vangloriar do sucesso de sua visita a Riad e dos acordos assinados com o reino saudita.

Além disso, a Casa Branca ainda não confirmou se Trump dará uma entrevista coletiva neste sábado após o G7 antes de retornar a Washington, algo que estava inicialmente planejado.

Segundo comentam os jornalistas americanos que estão há anos ou décadas credenciados na Casa Branca e que cobrem a viagem de Trump, seria algo muito incomum que o presidente não desse uma entrevista coletiva para encerrar uma agenda desta magnitude.

"Claramente, a Casa Branca tomou a decisão estratégica de limitar o número de coisas que poderiam dar errado nesta viagem, e uma coletiva de imprensa em solo estrangeiro é sempre uma aposta arriscada", declarou ao portal "Politico" Alex Conant, que foi assessor de imprensa no governo do ex-presidente George W. Bush.

Tampouco funcionários e porta-vozes da Casa Branca estiveram muito comunicativos durante a viagem, e a maioria das entrevistas realizadas foi, de novo, apenas para o "pool" de jornalistas do Air Force One.

Nessa mesma linha de tentar evitar erros não forçados, em sua conta no Twitter o Trump da viagem não se parece com o Trump que acorda diariamente na Casa Branca.

Desde que começou a viagem, seus únicos tweets foram para agradecer, às vezes com fotos ou vídeos, os anfitriões dos países que visitou e para declarar, por exemplo, que após conhecer o papa está "mais decidido que nunca" a trabalhar pela paz no mundo.

Nos poucos discursos que fez, todos muito rápidos se comparados com as longas falas de seu antecessor, Barack Obama, Trump se ateve ao roteiro e ao material preparado.

Porém, mesmo assim ele gerou polêmica, já que, em seu discurso na quinta-feira na sede da Otan, em Bruxelas, não expressou um compromisso explícito com o artigo 5 do Tratado de Washington, base do pacto de defesa comum da aliança militar.

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