Mais de 200 pessoas são detidas após saques no centro da Venezuela

Caracas, 27 jun (EFE).- As autoridades da Venezuela detiveram 216 pessoas pelos saques a 68 comércios e por outros atos de vandalismo ocorridos durante a última noite no estado Aragua, informou nesta terça-feira a governadora dessa região central, a chavista Caryl Bertho.

Caryl indicou ao canal "Tves" que entre os estabelecimentos saqueados há supermercados, farmácias, adegas, açougues, padarias, sorveterias e lojas de bebidas.

Além disso, denunciou que "grupos de choque" atacaram escritórios da companhia nacional de telecomunicações, duas sedes de partidos políticos oficialistas, depósitos de uma prefeitura e um imóvel destinado à atividade cultural.

Pelos incidentes, acrescentou a chavista, 216 pessoas foram detidas e foram abertas investigações.

A governadora responsabilizou os partidos opositores Primeiro Justiça (PJ) e Vontade Popular (VP) por estes atos.

Por sua vez, a deputada opositora Dinorah Figuera disse à Agência Efe que na cidade de Maracay membros dos coletivos, organizações civis - às vezes armadas - e alinhadas ao governo, lideraram as ações de saque.

Isto aconteceu, segundo Dinorah, ao término de um protesto convocado pela coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática que consistiu em bloquear vias de todo o país durante quatro horas.

"Chama a atenção que em momentos de saques os corpos de segurança estiveram ausentes (...) Foi uma ação feita com a complacência das autoridades regionais", afirmou a legisladora.

A deputada acusou, além disso, a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) de ter "atacado" residências "em busca" de opositores.

Dinorah disse ter notícias de várias pessoas feridas, duas delas gravemente, e adiantou que o Parlamento venezuelano debaterá estes fatos na sua sessão desta terça-feira em Caracas.

Dezenas de vídeos e fotografias que circulam nas redes sociais mostram, segundo os usuários que as publicam, os fatos denunciados pela opositora.

Há três meses a Venezuela vive uma onda de manifestações a favor e contra o governo, algumas das quais provocaram atos violentos que deixaram 75 mortos e mais de mil feridos, segundo dados da Procuradoria.

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