Topo

"Mãe de todos os guerreiros" ajuda soldados e deslocados no Iraque

05/07/2017 06h00

Isaac J. Martín.

Mossul (Iraque), 5 jul (EFE).- Registrada como Widad al Hanaoui em sua carteira de identidade, uma mulher natural da cidade de Diwaniya, no sul do Iraque, vem se tornando cada vez mais conhecida na região onde vive não pelo nome, mas por sua alcunha de "mãe de todos os guerreiros".

Na frente de combate no oeste de Mossul até o centro de voluntários, um grupo por ela comandado ajuda soldados e civis que fogem desesperadamente dos seus lares, ocupados pelo Estado Islâmico (EI).

Usando uniforme militar e um véu islâmico, ela levanta a voz diante dos demais para deixar clara sua mensagem: "Somos um povo unido. Estamos contra a guerra".

Na instalação construída por seu grupo, chamado "O Batalhão de Diwaniya", justamente no último posto de controle antes do núcleo urbano do oeste de Mossul - onde na cidade antiga está em curso a fase final da ofensiva para expulsar os extremistas -, Widad supervisiona tudo para que não falte nada aos soldados que chegam para descansar e aos deslocados ou àqueles que retornam a Mossul.

Dois de seus filhos e cinco irmãos lutam contra os terroristas na operação, que começou há oito meses, o que permite a ela saber em primeira mão o desgaste e o sofrimento pessoal dos combatentes durante a guerra. Sempre que pode, como afirmou à Agência Efe, vai à frente de batalha para cuidar deles e de seus companheiros, bem como dos cidadãos dessa parte da cidade.

"Somos as primeiras pessoas a receber os civis que escapam através dos corredores seguros. Lutamos contra o EI na medida em que podemos, mas nosso trabalho é basicamente humanitário", explicou, enquanto o resto de homens do "batalhão" a escuta sem abrir a boca.

Nesse momento, Widad se levantou para exibir um vídeo no qual ela aparece socorrendo uma mulher idosa que acabava de escapar da zona histórica. Com o rosto firme, acolhe nos braços a mulher, que chora copiosamente, e a molha com água para evitar o sofrimento do calor extremo de Mossul.

Além disso, antes de passar a palavra a seu companheiro de trabalho Salah e a seu marido, Hayi Nasser, ela esclareceu que os dois estão aqui graças à ajuda econômica "do povo de Diwaniya" para todas as pessoas do Iraque, "do norte ao sul", já que "o Iraque é um povo unido".

A mulher lembrou que, como eles viram no campo da ofensiva, "as forças iraquianas tratam muito bem os civis".

"Vemos como os ajudam e dão toda a comida e bebida que têm desde o primeiro momento", contou.

Widad disse que deixou Diwaniya com seu marido e começou a se aproximar o máximo possível da província de Ninawa - cuja capital é Mossul -, ocupada pelo EI em 2014, para ajudar essas pessoas que tiveram a sorte de conseguir escapar da opressão dos extremistas.

Seu amigo Salah, que administra o centro junto com o casal, cozinha todos os dias nos fogões sob uma sombra que o abriga do sol escaldante e próximo de um pequeno ventilador que atenua a temperatura de 45 graus do lado de fora.

Ele deixou seu trabalho há quatro anos no Ministério do Comércio para se dedicar a este projeto, que após "a derrota" do EI no Iraque, "se Deus quer", continuará, como afirmou à Agência Efe enquanto oferecia chá àqueles com quem dividia a mesa.

"Somos a resposta rápida e oferecemos primeiros socorros aos civis que precisam. Vêm aqui (ao centro) para receber os cuidados, e posteriormente os enviamos aos acampamentos. Se os ferimentos são graves, avisamos às forças iraquianas para levá-los a Bagdá", explicou.

O homem se levanta do banco e sai correndo para ajudar os menores que procuram comida, bem como os soldados que fazem um pequeno recesso.

O número de deslocados diminuiu, mas o grupo espera para breve a chegada de uma grande leva de iraquianos que estão retidos no escasso território ainda controlado pelo EI na cidade antiga de Mossul.

Agora, são as pessoas que fugiram dos extremistas que voltam para casa e passam pelo centro para descansar, depois que seus bairros foram libertados pelas forças iraquianas.