Putin diz que embaixada americana na Rússia perderá 755 funcionários

Moscou, 30 jul (EFE).- O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou neste domingo que 755 funcionários da embaixada e dos consulados dos Estados Unidos na Rússia deverão encerrar suas atividades no dia 1º de setembro.

"Mais de mil funcionários, entre diplomatas e pessoal técnico, trabalhavam e ainda trabalham na Rússia (para a embaixada dos EUA). Agora 755 deverão encerrar suas atividades", disse Putin em uma entrevista à emissora estatal russa "Rossia".

Moscou exigiu na última sexta-feira que Washington reduzisse sua representação para 445 funcionários, mesmo número de trabalhadores nas embaixadas da Rússia nos EUA, em resposta à expulsão de 35 diplomatas russos em dezembro do ano passado.

Além disso, o Ministério de Relações Exteriores da Rússia anunciou que a partir do próximo 1º agosto a Embaixada americana não poderá utilizar alguns armazéns na capital russa nem tampouco a mansão que dispõe em Serebrianyi Bor, uma área nobre nos arredores de Moscou.

Putin advertiu que a Rússia tem um "grande espectro" de possibilidades para responder ao último pacote de sanções aprovadas pelo Congresso dos EUA.

"Temos muito a dizer e fazer em muitos âmbitos de cooperação bilateral (com medidas) que prejudicariam os EUA. Mas não acredito que devamos fazê-lo. Atualmente, sou contra", disse o presidente russo.

Ao mesmo tempo, acrescentou, "se o dano ocasionado à Rússia pelas tentativas de pressioná-la chegar a ser equiparável às consequências negativas por restringir a nossa cooperação, estudaremos novas medidas".

"Esperamos muito tempo para ver se algo melhorava, tínhamos essa esperança. Mas pelo visto, se algo mudar não será em breve", disse Putin em referência ao projeto de lei de sanções aprovadas nos EUA e que ainda deve ser ratificado pelo presidente Donald Trump.

Exatamente por isso, a resposta às sanções de dezembro - aprovadas pelo presidente Barack Obama (2009-2017) em represália á suposta interferência russa no processo eleitoral americano - foi adotada agora, oito meses depois, explicou Putin.

"A parte americana, sem razão alguma, deu um passo para piorar as relações" entre os dois países, afirmou.

E esse passo, advertiu, consiste em impor "restrições ilegais, tentativas de influir em outros países, inclusive seus parceiros que estão interessados em manter e desenvolver suas relações com a Rússia".

A Casa Branca já anunciou que Trump assinará o novo pacote de sanções contra a Rússia, que entre outras medidas, ameaça punir empresas países de terceiros que investirem na construção ou manutenção de infraestruturas russas para o transporte de hidrocarbonetos.

Caso seja aplicada, esta medida prejudicaria várias empresas da União Europeia (UE) que participam, inclusive com capital social, em vários gasodutos que ligam a Rússia a países europeus.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, advertiu que a UE responderá aos EUA caso a nova lei contra a Rússia afete seus interesses.

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