Suicídio de adolescente em plena sala de aula comove à Argentina

Buenos Aires, 7 ago (EFE).- A morte nesta segunda-feira de uma adolescente de 15 anos, que tinha atirado contra si mesma em plena sala de aula, gerou uma grande comoção na Argentina, além de um debate em torno da violência escolar.

Um tribunal da cidade de La Plata, na província de Buenos Aires, começou hoje a realizar interrogatórios com companheiros e professores da jovem, que disparou a arma na quinta-feira e morreu hoje em um hospital local.

"Tchau, merdas. Deixo um jogo na mochila, quem encontrar pode ficar", escreveu a adolescente em uma nota de despedida, segundo revelaram as primeiras investigações.

Fontes policiais explicaram a meios de comunicação locais que a jovem tirou um revólver calibre 38 da sua mochila e disparou contra si mesma depois que o alarme de seu telefone celular tocou como lembrete.

As duas hipóteses com as quais trabalham os investigadores são o suicídio provocado pelo assédio escolar, ou sua participação em um tipo de jogo virtual em redes sociais.

As autoridades informaram também que estão analisando se uma mensagem postada em um site que alertava sobre um suicídio corresponde à morte da adolescente.

"Na quinta-feira vou me suicidar na escola e vou transmitir ao vivo. Vou roubar o revólver do meu papai antes de sair para o colégio e quero dispará-lo na primeira hora. Tenho cinco balas. Se nesse momento conseguir matar três ou quatro companheiros, ótimo, mas a minha missão principal é o suicídio", dizia essa mensagem, de origem ainda desconhecida.

Em qualquer caso, nos cinco dias transcorridos desde que a jovem efetuou o disparo até sua morte, nos quais permaneceu em coma, se reavivou no país uma polêmica pelo aumento dos suicídios de jovens em idade escolar, muitos deles causados pela violência e o assédio nas salas de aula.

Do Colégio Nacional de La Plata, local onde ocorreu o incidente, surgiram denúncias de que os companheiros da menina falecida receberam numerosas ameaças através da internet.

O colégio decretou, por enquanto, a suspensão das aulas pela profunda "dor" que o suicídio da jovem gerou na comunidade escolar. EFE

jcam/rsd

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