Facebook enviará ao Congresso dos EUA anúncios políticos pagos na Rússia

Los Angeles (EUA), 21 set (EFE).- O Facebook compartilhará com o Congresso dos Estados Unidos os dados e o conteúdo dos mais de 3 mil anúncios políticos publicados na rede social e pagos na Rússia com o objetivo de interferir nas eleições presidenciais americanas.

"Não quero que ninguém utilize nossas ferramentas para minar a democracia", disse hoje em um vídeo publicado no próprio Facebook o fundador da rede social, Mark Zuckerberg.

Na última semana, a imprensa americana noticiou que o Facebook tinha entregado informações sobre anúncios e contas na rede social ao procurador especial Robert Mueller, responsável pela investigação sobre a interferência da Rússia nas eleições e os possíveis vínculos do presidente Donald Trump e sua equipe com o Kremlin.

Anteriormente, o Facebook tinha afirmado no início do mês que 470 contas falsas, provavelmente operadas a partir da Rússia, gastaram US$ 100 mil para contratar anúncios políticos na rede social nos últimos dois anos. Esses perfis falsos estariam associados a uma entidade russa chamada Internet Research Agency.

Os anúncios não faziam menção específica às eleições americanas ou a algum dos candidatos, mas pareciam focar em ampliar mensagens políticas controversas sobre temas raciais, imigração, acesso às armas de fogo e questões sobre a comunidade LGBT.

Zuckerberg disse hoje que se preocupa "profundamente" com o processo democrático e pela proteção da integridade do sistema. E explicou que o Facebook dará sequência a uma investigação interna sobre os anúncios russos na plataforma.

O fundador da rede social também afirmou que a empresa está investigando "atores estrangeiros", incluindo outros grupos russos e de antigos países soviéticos, para esclarecer como eles usaram as ferramentas do Facebook para seus propósitos.

"Continuaremos trabalhando com o governo para entender o pleno alcance da intromissão russa e faremos nosso papel para garantir a integridade de eleições justas e livres no mundo todo", afirmou.

O anúncio do Facebook ocorre algumas semanas depois de diferentes personalidades americanas terem exigido que a companhia informasse de maneira mais clara sobre suas descobertas.

"Foi uma decisão difícil. Revelar o conteúdo é algo que não fazemos superficialmente sob qualquer circunstância", indicou hoje em comunicado o conselheiro-geral do Facebook, Colin Stretch.

Apesar de destacar o compromisso da rede social com a privacidade dos usuários, Stretch disse que a "extraordinária natureza" desse assunto e as informações divulgadas pelo Congresso e pelos serviços de inteligência sobre os esforços "variados e sofisticados" para comprometer as eleições levou a empresa a divulgar suas descobertas.

Além disso, Zuckerberg anunciou hoje que o Facebook adotará uma série de medidas para aumentar a transparência de seus anúncios políticos e ampliará os funcionários que fazem a revisão dos conteúdos desses materiais.

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